quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carta aberta à PM da Bahia

Egrégia Polícia Militar do Estado da Bahia, você está fazendo tudo errado. Por exemplo: vocês não estão agindo como pessoas civilizadas quando combinam queimar viaturas (bem público). Isso não é greve, é motim.

Contudo, NÃO CANCELEM O CARNAVAL DE SALVADOR. Se vocês fizerem isso, todos os micareteiros de Minas Gerais, São Paulo e demais estados da Federação não vão ter para onde ir. Corpos sem alma vagando pelas ruas de nossas cidades, que são consideravelmente civilizadas no carnaval, justamente porque nós exportamos nosso lixo praí nessa época do ano, ao passo que vocês exportam o lixo de vocês para o resto do país durante o ano todo. Portanto, é um pedido justo.

Ainda, não é justo deixar Ivetes Sangalos e Cláudias Leites da vida sem trabalho em fevereiro, pois é sabido que essas senhoras encontram no mês da folia seu período de maior bonança financeira. Não queremos colocar em risco a segurança monetária desses obeliscos da cultura brasileira com os quais vocês gentilmente nos agraciaram.

É um apelo. Por favor. Eu imploro.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Na internet, poodle vira velociraptor

É BBB aqui, estupro ali, Luiza acolá. A menina já virou "vadia" porque, em 24 horas, alguém se cansou da piada do Canadá. Outros já chamaram o cara de estuprador mesmo depois de a menina ter visto a fita e afirmado que foi consensual. Sem contar as milhares de reclamações sobre o próprio reality, assunto sobre o qual escrevi no post anterior.

A internet é uma bosta. Ela dá voz a quem, no cotidiano normal, é passivo. Faz gatinho virar leão. O cara é cheio de crítica e opinião no Facebook mas, quando sai de casa e encontra pessoas reais, não abre a boca. Fica lá, parado, fazendo cara de babaca sem ter coragem de dizer o que realmente pensa.

Se tá na fila da boate e alguém fura, não fala nada pra não criar climão. Mas tá lá no Twitter, peitudão, cheio da opinião, cheio de senso crítico.

O grande problema da internet é ter dado voz pra bunda-mole.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

BBB, BBB, BBB.

Começou o BBB. Metade das pessoas comenta sobre os brother e sisters, o resto fala mal pra pagar de bonzão.

Minha opinião sobre o BBB: acho um programa imbecil? Acho. Mas não muito mais do que os outros. Acho o Faustão muito mais chulo, inútil e vulgar, por exemplo.

Até aí, ok. Quem não faz igual? Quem não sai à noite, bebe todas e faz merda? Cansei de ver neguinho que vomita em banheiro de boate dizer que o BBB é o reflexo de um país sem cultura, e postando foto de filminho francês e link pra vídeo de jazz dos anos 40 no Facebook pra pagar de intelectualzão. Neguinho nunca estudou nada que preste na vida, mas jura que é politizado e intelectual.

O Big Brother não é invenção nossa. Veio dos nobres holandeses. Em tempo: lá, os programas tem muito mais baixaria do que aqui. O Brasil é um dos países mais sexualmente hipócritas do mundo. Nega sai pelada no carnaval bancado por bicheiros, mas não pode ter topless na novela das 8.

Eu simplesmente não gosto de reality shows. De todos eles. Não gostava nem daquele reality de guitarristas e músicos que passava na tv a cabo há uns anos atrás. Não é meu tipo de programa. Mal vejo tv direito.

Me acho bonzão por não ver tv? Não. Eu não vejo novela, mas baixo todos os episódios de How I Met Your Mother. Tem diferença? Talvez, mas não tão grande.

A única coisa que me incomoda no BBB, além do Pedro Bial (um cara que cobriu a queda do Muro de Berlim, e hoje se transformou no conceito do bobo-alegre), é o excesso de comentários nas redes sociais. É MUITA coisa. É um programa comum, tem todo ano, e mesmo assim as pessoas tratam como final de Copa do Mundo. Enche o saco, não por ser sobre BBB, mas por ser exagerado. Se comentassem o tempo todo sobre a carreira do Paul McCartney, eu também me encheria.

Só isso. Pessoal leva a sério demais esse programa. Tanto quem gosta quanto quem odeia. É só um programa, não é mais novidade e tem todo ano. Assiste quem se diverte com aquilo, não assiste quem não gosta. Simples.

E ah, a nova opção de unsubscribe do Facebook e a coisa mais linda do mundo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Se não tá a fim de ajudar, não atrapalhe

Olha, se eu ainda estivesse imerso na área das Ciências Sociais, a primeira pesquisa que eu faria seria sobre as escolas brasileiras. O título seria mais ou menos assim:

"Escolas brasileiras: em que momento deixamos de formar pessoas e passamos a formar invertebrados?"

Bom, o Orkut morreu, e o Facebook está com tudo. É uma rede muito mais articulada, realmente. As pessoas tem muito mais interação entre si. Você lê não só o que seus amigos dizem, mas também o que os amigos deles dizem.

A princípio, é lindo. O problema é na prática.

Nem quero falar muito daqueles sites pavorosos como "O Melhor do Mundo" e "Risos no Face". Eu quero ter filho e, quando tiver, só peço que ele não se enquadre em 5 itens:

1. Seja micareteiro
2. Seja religioso chato (ou seja, seja religioso)
3. Seja viciado em drogas
4. Seja do movimento estudantil (ou seja, seja viciado em drogas)
5. Compartilhe coisas do Risos no Face (que nome é esse, Jesus amado?) e afins

Sério, filhão. Quando você já souber ler, eu vou te mostrar este post. Espero que você me entenda. Outras coisas, a gente conversa. Mas esses 5 aí de cima, NÃO.

Até aí, tudo bem. É só gente sem graça querendo ser engraçada. É um mal da humanidade, mas nada que não possa ser evitado. O problema real é a ignorância.

Sabe quando você recebe emails de corrente da sua mãe e pensa "mãe, os americanos não ensinam que a Amazônia é deles. Esse email é falso, e a foto do mapa da Amazônia com a bandeira dos EUA é montagem. Tadinha de mamãe, tão inocente... Não sabe usar a internet."

Pois é. Você provavelmente está fazendo a mesma coisa, seu bunda-mole.

Quer um exemplo? O tal texto sobre a lei do estacionamento gratuito em shoppings. É um texto, aparentemente sério e embasado, sobre uma tal lei estadual que impede que os shoppings cobrem estacionamento de quem fez compras lá dentro.

Um mundo de gente repassou. "OLHAAA GENT NAUM PRESISA MAIS PAGA ESTASIONAMENTO VAOMS LUTA PELOS NOSOS DIREIOTS11>!"

O texto está triplamente errado. Primeiro, esse é um email que circula por corrente há pelo menos 5 anos. Sei disso porque eu ainda nem morava onde moro hoje quando o li pela primeira vez.

Segundo, o próprio texto diz se tratar de lei estadual. Nunca achei que precisasse perguntar isso, mas o que vocês entendem pela expressão "lei estadual"?

a) Uma lei que vigora dentro de um estado;
b) Uma lei que vigora em um determinado município;
c) Uma lei que só vigora em países com nomes que começam pela letra "P";

A lei citada no email foi criada no estado de São Paulo. Mas não importa, porque mesmo ela sendo estadual, ela não vale. Apenas a União tem competência para legislar sobre o tema. Várias outras leis semelhantes foram revogadas em outros estados, por terem sido consideradas inconstitucionais.

Eu sei que hoje em dia tudo tá na internet, que ninguém quer saber de se informar, e que disciplinas como história e sociologia não são mais consideradas úteis por ninguém. O lance é ter iPod, iPad, iPhone, PowerMacs com Tiger, Leopard e Painted Onça. É estudar mecanicamente pra concurso, ganhar 30 mil por mês e ir a NY fazer compras na 5ª Avenida (que também tem um dos mais sensacionais museus do mundo, mas who cares?).

Beleza, façam o que quiserem. O problema não é não ajudar, é atrapalhar. Se você tem preguiça de se informar, então não repasse informação que você não sabe de onde vem.

Impressionante como tanta gente compartilha qualquer textozinho bem escrito, mas com conteúdo tacanho. É acreditar no vídeo dos globais - que, na sua maioria, nunca pisaram em uma universidade - sobre Belo Monte sem nem questionar. É repassar inverdades só porque elas parecem verdades.

Dá a impressão de que ninguém mais pensa, só repassa a informação. Reduzem assuntos complexos a meia frase que ouviram dos outros. Não param, pensam, se informam e chegam a uma ideia própria.

O pior é ver essas mesmas pessoas, quando lêem alguma notícia ruim, falar "pfff, só no Brasil mesmo!!! Brasileiro é foda!!!"

Ô, desgosto!

sábado, 5 de novembro de 2011

Os protestadores de internet e a deficiência do brasileiro médio em... pensar.

Dois acontecimentos recentes na sempre tola sociedade brasileira de hoje me chamaram a atenção. Esses protestos de internet sempre foram divertidos, mas agora já estão sendo só vergonhosos mesmo.


O caso Rafinha Bastos

O Rafinha Bastos é um imbecil. Sempre foi, desde antes de chegar à televisão. Pra quem não se lembra, ele tinha um conhecido site de piadinhas tão ou mais pavorosas do que as asneiras que ele andou falando por aí em rede nacional.

Daí, só pra variar, ele extrapolou a tênue linha entre o politicamente incorreto e o grosseiro, que só aquelas pessoas com um talento que ele não possui conseguem traçar.

Como ele já vinha falando bobagem há muito tempo e, dessa vez, envolveu o filho ainda por nascer de uma mulher, as pessoas se cansaram, celebridades se revoltaram e o cara foi atacado por todos os lados.

Não precisa me conhecer pra saber que eu meio que detesto a Wanessa Camargo, né? Ela representa tudo de ruim que há na cultura brasileira, ou na falta desta. Só conseguiu alguma visibilidade por ser filha de famosos. Tem o talento de um pé de jequitibá. Suas "músicas" (hahahaha, adoro falar que a Wanessa Camargo canta "músicas") dispensam delongas. Ainda por cima, é a única mulher do mundo que, mesmo tendo dinheiro, não consegue ficar bonita.

Não importa. Ela é a esposa de alguém, vai ser mãe de alguém, e você simplesmente não fala que vai comer o bebê de alguém. O mandamento universal do humor dispõe que, pra uma piada ser boa, todos os envolvidos tem que rir dela. Não foi, nem de longe, o caso. Enfim.

Venho criticando, há tempos, o emburrecimento da humanidade. Parece que quanto mais informação temos, mais estúpidos ficamos. É inacreditável como nossa geração é vazia e burra. As pessoas repassam informação ruim sem nem pensar sobre o que estão retransmitindo. Ninguém tem opinião, ninguém pensa, todo mundo só repassa o que ouviu e achou bonito. Vivemos uma geração de songamongas.

Cada polêmica traz, consigo, uma horda de gênios pensadores e filósofos. Com o caso Rafinha, não poderia ter sido diferente. Não deu uma semana, e algum gênio criou uma imagem no Facebook que dizia coisas como:

BRASIL O PAIS ENQUE COMEDIANTES SAUM LEVADOS A SERIO E POLITICOS SAUM LEVADOS NAS BRINKDERA11.1

Olha, essa afirmação é tão vergonhosa pra mim enquanto ser humano que vou procurar nem me alongar muito. Só quero saber o seguinte: O QUE DIABOS O RAFINHA BASTOS TEM A VER COM POLÍTICO CORRUPTO? QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS? ENTÃO SE POUCOS POLÍTICOS SÃO CONDENADOS PELAS FALCATRUAS QUE FAZEM, NÓS NÃO PODEMOS FAZER MAIS NADA, A NÃO SER PASSAR O DIA INTEIRO XINGANDO-OS?

É a mesma coisa de dizer "não vou comer alface, porque alface é verde, e a bandeira da Suécia é azul". Usar um assunto totalmente diferente do outro como argumento tem um nome: falácia.


O câncer do Lula

Bom, eu não gosto do Lula. Gosto da Dilma, mas não dele. Na minha opinião, ele colheu louros passados, mudou o nome, se apropriou das glórias e agora fica posando de revolucionário. Foi um bom presidente porque deu continuidade ao que já vinha sendo feito, mas usou tudo isso para personificar, em si mesmo, a figura do herói nacional. Gostei - com ressalvas - de sua política continuísta, mas não gosto da pessoa dele. Mas isso não vem ao caso.

O episódio do câncer do nosso ex-presidente refletiu, como poucas vezes, todo o despreparo das pessoas no que tange à interpretação básica da língua portuguesa. As pessoas estão se formando médicas, advogadas e engenheiras, mas não possuem a menor competência para fazer o que o ser humano sempre deve fazer quando recebe alguma informação: parar e pensar.

A frase era simples: algo como "Lula, faça tratamento no SUS."

Como vivemos em uma era asquerosamente politicamente correta, na qual toda e qualquer forma de expressão que não tente agradar a tudo e a todos - mesmo que o politicamente incorreto tenha sido motor de grandes críticas que mudaram os rumos da sociedade ocidental ao longo do século passado -, os defensores da moral e dos bons costumes começaram a rosnar em duas correntes de pensamento distintas.

A primeira foi sobre a doença do ex-presidente em si:

NOSA Q ABÇURDOOO TAUM CRITIKNDO O CANSER DO PRESIDENET GTE ISO NAUM SEFAS NAUM C BRINK CO ISOO Q FALTA DE RESPEITO NA DIGUINIDADE DA PESOA UMANA SEUS RIDICULOOOOO 11!.

Esse grupo, há 50 anos atrás, teria sido composto por velhinhas nascidas no século XIX, adeptas do casamento com dote e do manual da boa esposa. Hoje, é formado por gente com menos de 30 anos e com toda a informação do mundo ao clique do mouse.


A segunda genialidade de interpretação do português é pior ainda. Fala sobre o Sistema Público de Saúde:

NOSAAA VOSES TAUM AI FALANO MAU DO SUS MAIS O SUS EH MASA ELE DA OS REMEDIO PROS POBRER E VOSES FALAO COMO SI ELE FOSE INDIGUINO NOSA VOSES CRITIKA O BRASIL ENTUDOOOOO1!<..,1

De repente, o SUS virou o mais moderno e espetacular sistema de saúde do mundo, como se jornais de circulação nacional não tivessem passado o mês retrasado inteirinho documentando, inclusive com fotos e filmagens, a péssima situação da rede pública de saúde no norte/nordeste.

Entendo que, em algumas regiões, o SUS funcione bem decentemente, mas daí a dizer que é um sistema imune a críticas é o cúmulo da falta de informação, a.k.a ignorância. Tipo "eu fui e recebi meu remedinho que nem a Finlândia dá de graça." Ótimo. Bom pra você. Meus parabéns, você é um campeão do Tony Tigre da Kellogg's. Mas tem gente por aí morrendo em corredor por falta de atendimento. Viva com isso.


De qualquer forma, não importa. A crítica inicial ("Lula, trate-se no SUS") não fala nem sobre uma coisa nem sobre outra. Não precisa ser gênio para pegar a sacada. Não precisa nem ter terminado a quinta série. Só precisa saber raciocinar.

Não estão sacaneando a doença do ex-presidente, e não estão jogando todo o SUS na lama. A crítica é sobre o próprio discurso do cara enquanto presidente.

Vou tentar resumir: se você tem memória, vai se lembrar que, em várias ocasiões, o Lula fez pronunciamentos oficiais sobre o quão perfeito era o SUS. Nas palavras dele, o SUS era "o mais moderno e completo sistema de saúde do mundo". Não fui eu quem disse, foi ele.

E é aí, e só aí, que a crítica recai. Ora, se ele criou um sistema público de saúde tão supimpa, por que não passou nem perto dele quando precisou? Ninguém está zombando do câncer do cara, e ninguém está massacrando o SUS como se fosse o pior e mais indigno tratamento já dispensado a um ser humano. Sério, uma criança espertinha já saca a ironia de primeira.

Concorde ou não, é essa a crítica. Sim, porque para entender uma crítica, você não precisa concordar ou discordar dela. Eu mesmo só concordo em partes. Mas daí a interpretar uma simples frase como um suíno retardado e sair internet afora propagando bobagem, já são outros quinhentos.

Se o Lula tem condições de se tratar no Sírio-Libanês, onde uma Aspirina deve custar uns R$ 30,00, bom pra ele. Que se recupere logo, pois ninguém no mundo merece ter câncer. Nem mesmo os sertanejos e pagodeiros. (Bom, nesse caso... Não, não. Pensando bem, nem eles. Tadinhos.) Mas, de qualquer forma, recusar o SUS implica em reconhecimento tácito, indireto, de que o sistema não é assim tão maravilhoso, né? De que o discurso de outrora não era exatamente verdadeiro, né? Que rolou uma mentirinha aqui e outra ali, como todo bom político demagogo, né? Ponto. É só isso. Sem drama.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Coisas das quais todo mundo se arrepende hoje

Olha, se tem uma coisa que absolutamente ninguém pode falar sobre mim, é que eu já fui vileno.


vi.le.no sm (vilenus) 1 Da vila; 2 jeca-tatu; 3 Pobre de espírito


Sempre tive a qualidade de saber quando uma coisa que tá na moda agora vai ser motivo de galhofa (cara, adoro essa palavra) no futuro. Ser roqueirinho e só andar de preto? Nunca fiz, e conheço mais de rock do que todos os que usavam, somados (nessa parte, eu não sou nem um pouco humilde). Camisa do Iron Maiden? Nunca usei. Fui no show dos caras de camiseta branca, e ainda me achei nas fotos do G1. O máximo que fiz foi um cabelinho mais curto aqui e umas pulseiras ali, muito pouco perto do que muitos dos meus coleguinhas fizeram.

Pois bem. Estava refletindo aqui sobre quanta coisa entrou na moda antes, a galera aderiu sem raciocinar, e agora todo mundo morre de vergonha. Daí, é claro, fiz uma lista:



1. A tatuagem tribal

A rainha do constrangimento. Meu, as meninas que fizeram tatuagem tribal no cóccix ou acima da virilha há 10 anos atrás devem estar MUITO ARREPENDIDAS hoje em dia.

Hoje, tattoo tribal é sinônimo de vilenice e caráter duvidoso. Qualquer panaca, já naquela época, podia prever isso. Eu avisava, mas ninguém me ouviu. Como ninguém nunca me ouve na hora certa, tá aí: 2011, menina com 28 anos andando de blusinha longa com sol de duzentos graus pra tampar a sua indelével marca de biscatez.

Duvida? Clica aqui então.


2. Dançar o tchan

Na atual conjuntura sócio-econômica, todo mundo sabe que a dança do tchan é ridícula e estúpida, e que todo mundo envolvido com ela - quem fez, quem cantou e quem dançou - tem a inteligência de um macaco.

O que poucos se lembram é que, na época, o É o Tchan! se tornou o maior grupo musical do Brasil, tendo suas dançarinas - Sheila, Carla e Jacaré - sido alçadas à categoria de maiores ídolos nacionais. Até boneca da Carla Perez existia.

O que menos gente ainda faz questão de lembrar é que praticamente todo mundo dançava a música. Quando eu era novinho, ia treinar tênis aos domingos de manhã e, à tarde, no mesmo clube, rolava uma lendária roda de samba pra menores de 13 anos. Molecadinha descobrindo os prazeres do sexo oposto, muita aventura e azaraçãozZZZzzzRONC.

Às vezes eu ia, e sempre, SEMPRE, ficava lá parado, olhando tudo aquilo com cara ruim, muita preguiça e torcendo pra escorregarem e o médico não saber se seria melhor tirar a garrafa da pessoa por baixo ou por cima. Não peguei quase ninguém, mas mantive minha dignidade. Ainda tenho contato com muita gente daquela época, e eles podem confirmar minha versão.

Mas só eu ficava parado. Todo mundo ficava tendo convulsões em cima de garrafa, achando a coisa mais legal do mundo."OLHA Q LEGAS TO AKI CO MINAH BUSETA ENSIMA DA GARAFA SO SENSUAL AKI EH SEDUSAOOO!1.,"

Quem dançou pode até fazer força pra esquecer, mas eu me lembro muito bem de todos vocês.




3. Piercing no supercílio

Parecia legal, mas era brega. Fica com cara de borracheiro que se arrumou pra ir ao baile funk no sábado. Hoje, todo Wanderson usa. Vale pro piercing no umbigo das gatinhas. Ponto. Tchau.



4. Mechinhas

Tempos atrás, não sei porque cargas d'água, as gatinhas começaram a usar umas mechinhas amarelas na franja. Era epidêmico. Você ia ao shopping e parecia uma invasão de Yorkshires.

A princípio, é meio inofensivo. Mas comecei a pensar que hoje eu posso conhecer uma menina interessante, querer namorar, ir na casa dela, ver fotos antigas dela com aquele tobogã dourado na testa e perder o encanto.

Seria bem ruim.



5. CPM, Detonautas e demais emices

Lembra quando o CPM 22 estourou, daí todo mundo gostava e fazia festinha bacaninha reunindo galerinha mirim recém-tatuada-piercingnizada cantando letrinhas que falavam coisinhas bonitinhas do coraçãozinho em musiquinhas repetitivinhas e com guitarrinhas mal tocadinhas?

Pois é, nunca curti. Sempre achei uma de juvenilidade inconcebível. Cheguei a ser zoado no IRC (só quem lembra dele é feliz) porque gostava de AC/DC. Alguém ficou bravo comigo, e me mandou framboesas cheias de ódio.

Pois é, LEMBRAO? Isso aí, hoje, é conhecido como EMO. A racinha de pessoinhas mais malditinhas do planetinha. CPM é EMO. Millencollin é EMO. Detonautas é EMO.

E nem adianta falar "naum eh emooo, eh hardcoreee!!..! HUMPFT >:/ nHaAaAa =}~~~~". Todo mundo sabe que hardcore é emo. E ponto final. Se você gostava de CPM, então você era ridículo antes, e continua ridículo depois. Eminho retardado.

AC/DC continua na moda. Todo mundo acha cool. Nem esquento; quanto mais gente gostar - ou disser que gosta -, melhor. Antes AC do que EMO. EMO. EMO.


Não posso mais parar
É só correr atrás
Nem tudo mudou
Não quero mais pensar
No que ficou pra trás
E nada faz voltar....faz voltar....
faz voltar....aaaaa
Aaaaaaa...
Aaaa...



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Eu emburreço, tu emburreces, eles emburrecem

Já notaram que, dia após dia, a humanidade vai se emburrecendo? Eu poderia falar sobre isso citando vários aspectos que compõem uma sociedade, mas vou me ater a apenas ao que eu mais gosto: a música.

Como eu já disse mil vezes aqui no blog, eu não acredito no "gosto é gosto". Gosto só é gosto pra quem tem mau gosto, e ponto final. Acreditar que o coeficiente médio de civilização da "plateia" de um show do Luã Santana é igual ao dos frequentadores de um clube de jazz (e olha que eu não gosto de jazz) é a mesma coisa que acreditar em Adão e Eva: não é só porque você quer que vai acontecer. Não é e pronto.

Pra começo de conversa: não acho que música boa é música complicada. Há músicas complexas lindíssimas, mas também existem obras-primas fundadas na simplicidade. O que eu não admito é música tosca. Música boa tem alma, desperta algo nas pessoas, é feita com esmero, cuidado e, principalmente, talento. Muito diferente de um produtor musical pegar qualquer cara carismático no meio da rua e botar pra cantar música genérica pra um monte de baranga fedida cujo único objetivo na vida é arrumar namorado.

No século XVIII, tinha o Mozart. No século seguinte, um Beethovenzinho maroto. Tudo música complicada. Aí resolveram descomplicar e, no comecinho do século passado, o blues ganhou a galera. Estilo simplicíssimo, mas com alma, com verdade. Depois, o rock, seguido pelo pop dos 70.

Nos anos 80, aquela vilenagem toda.

Nos 90... Sinceramente, alguém lembra o que tocava nos anos 90?

Nos 2000/2010, MEDO, não gosto nem de pensar.

Antes, rock'n'roll de qualidade era Pink Floyd; hoje, é Kings of Leon. Será que ninguém consegue perceber a diferença ABISSAL, GIGANTESCA, MASTODÔNTICA entre os talentos?

Quer outro exemplo? Só olhar pra esses programinhas de caça-talentos: Ídolos, Astros etc. Já notaram que todos os candidatos cantam igual? Todo mundo com a mesma voz de quem tá louco de vontade deDEIXAPRALÁ. Criou-se uma voz padrão para homens, outra para as mulheres (essas cantam até mais iguais umas às outras ainda). Alguém duvida que o John Lennon seria sumariamente eliminado de um programa desses?

(Pausa: se você vai ao Ídolos, você não é alguém que está correndo atrás do sonho de virar cantor e encantar o mundo com sua bela voz; você é só um songamonga.)

Ou seja, é uma involução constante. Daqui uns 20 anos a música da moda vai ser um tamanduá tocando berimbau com um cachorro ao lado latindo. Isso é o que eu chamo de emburrecimento primário.

Sim, existe o emburrecimento secundário. E, apesar do nome, ele é ainda pior, porque recicla porcaria.

Hoje em dia, ser velho se tornou sinônimo de ser bom. As pessoas acham que tudo que tem mais de 20 anos de existência se torna legal e descolado. Não importa se na época em que foi lançado era uma merda; passam-se alguns aninhos, e tá tudo ok. Não é velho, é vintage.

Queridos, eu acho o seguinte: SERTANEJO DE RAIZ É UMA BOSTA. CINDY LAUPER NÃO VAI SER LEGAL NEM DAQUI A 500 ANOS. BEE GEES DÁ DOR DE BARRIGA. Era ruim antes, continua ruim agora. Estúpido lá, estúpido aqui.

Isso não pode continuar. Será que ninguém percebe que nossos filhos serão criados em um mundo que vai considerar Chiclete com Banana, Jorgemateus, Ivete Sangalo e Beyoncé gênios?

E que nossos netos vão usar camisetas com fotos do tamanduá que toca berimbau?

Colegas... Run to the hills.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O tiro ao Álvaro e o vendedor de Fandangos

Olha, eu tenho certeza de que fiz alguma coisa muito grave contra alguém bem poderoso no reino dos céus. Sei lá, devo ter gritado "Libertem Barrabás!" no julgamento de Jesus, espalhado fotos sensuais de Virgem Maria no Orkut ou botado ketchup no pão da Santa Ceia. Só isso explica.

Há dois meses, estive no Rio de Janeiro para o show do Paul Mccartney. Eu e mais cinco coleguinhas, numa viagem muito louca cheia de aventuras, surpresas, confusões e muita azaração.

O Rio de Janeiro é uma cidade linda (só na zona zul, mas é), quentinha e bem azul. O problema é que o povo é meio pitoresco. O que se vê, o tempo todo, é alguém vendendo algo. Você até pode correr, mas não pode se esconder.

Lá estou eu na paz e tranquilidade da assaz aprazível praia de Copacabana, um dos maioreZzZz cartõeZzzZzz postaizZzZz do mundo, todo supimpa, tomando um choppinho, olhando as gatinhas e pensando what a wonderful world quando, do nada, brota uma mini-banda de pagode samba bem ao meu lado:

♫ TÁUBUA DE TIRO AO ÁLVARO... NÃO TEM MAIS ONDE FURAR... TUNS KUNDUN... ♫

Pausa.




























Pronto.


Aquele tocador de pandeiro deve ser algum tipo de Senhor do Tempo, porque foram uns 3 minutos que pareceram 50. Ao final, um deles, bem ao estilo malandrão carioca acordo-e-vou-escovar-os-dentes-sambando passou com o chapéu, pra ver se descolava um dinheiro. Eu não sei se ele queria que eu desse tipo um couvert artístico, ou se era uma ameaça, tipo "bota dinheiro aí ou eu toco 'Tiro ao Álvaro' inteirinha de novo". Apavorado com essa possibilidade, nem lembro o que fiz. Me senti acorrentado em uma masmorra imaginária, num lugar aonde ninguém podia me ouvir gritar.

Sei que muita gente pensa que eu fui mal humorado, que devia ter aproveitado essa genuína manifestação da cultura carioca marota.

Hm, vamos ponderar: malandragem, ziriguidim e Juçaras dançantes?

Não.

O outro caso foi pior ainda, porque foi durante o show. Sir James Paul McCartney, o cérebro dos Beatles, o maior músico da história, uma lenda viva (que eu tive o prazer de cumprimentar no dia anterior, história que qualquer dia conto aqui). Eu já havia assistido aos dois shows de São Paulo, mas um concerto do Paul McCartney é único, mesmo que você já tenha assistido mil vezes. O cara é foda, e ponto final.

Um dos pontos altos da brilhante carreira desse senhor é uma música em voz e violão chamada Blackbird, que todo mundo aqui deve conhecer. Além da belíssima melodia, tem uma letra que fala do Movimento dos Direitos Civis dos anos 60. Enfim, uma obra-prima da época dos Beatles.

A certa altura, a banda toda deixa o palco, sobrando apenas Paul e sua viola. Começa Blackbird, as imagens no telão, e todo o estádio se encanta com momento tão belo e especial. Oun.

Até aí, tudo ótimo. Mas a experiência mostra que, no Rio de Janeiro, por mais legal que esteja o momento, sempre vai existir o risco de um carioca atrapalhar, pra te vender algo.

♪ Blaaaackbird fly... BlaaaackbOLHA O FANDANGOISH!!!!!

Bem na minha frente.

Pausa.





























Sessenta e cinco mil pessoas no estádio, e o cara resolve vender Fandangos no meio de Blackbird bem na minha frente. E ele quase esmagou aquele Fangandos na minha fuça. Num segundo, estou assistindo ao Paul McCartney tocando; noutro aparece uma espiga de milho sorridente. Essa aqui.

Parece piada. Em algum momento da formação daquele protozoário, as células do bom senso e da educação se perderam. Respeito com o espectador - que pagou caro, viu? - não há. No reflexo, acabei tirando o Fandangos da minha frente e soltando um arrogante "sai daqui!", atitude da qual me arrependi depois. Poderia ter sido mais educado, mas, né, guerra é guerra. Pelo menos foi baixinho, e as pessoas das fileira de cima também protestaram.

E pensar que eu buzinei minha amiguinha porque ela ficou falando borracha na hora de Yesterday no show de São Paulo... O troco vem, vem a cavalo, e é uma espiga comendo Fandangos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Deixa disso o caramba!

Eu não sei se é uma característica do povo latino, brasileiro ou sei lá o que, mas já notaram o quanto as pessoas por aqui engolem tijolo sem reclamar?

A ordem parace ser "evitar climão". Furaram fila à sua frente? Ok, você fica calado para não causar climão. Jogaram lixo na rua do seu lado? Tudo bem, você não fala nada porque, né, vai que a pessoa acha ruim. Não pode.

Inacreditável que um ser humano se deixe incomodar para não contrariar quem lhe incomoda . Esse tipo de conduta me irrita bastante, já que, pelo menos eu me nego a ser feito de palhaço.

É claro que não se pode sair julgando as atitudes alheias com base no que você considera como certo ou errado, mas algumas coisas são universalmente estabelecidas e pronto. Furou fila na minha frente, eu pergunto "por que eu posso esperar na fila e você não?". Não quero nem saber se vai causar climão, se a pessoa vai achar ruim. Nem te conheço, cara-pálida. Quem se mete a malandro tem que estar preparado para receber críticas.

Mais inacreditável ainda é o quanto algumas pessoas se ofendem desnecessariamente. Certa vez, pedi - educadamente, juro - silêncio pra uma criatura que estava falando de ex-namorado com outra coleguinha a três metros de distância enquanto eu tentava assistir a uma aula de estatística. Não é que a pessoinha se ofendeu? Daí eu viro chato, cri-cri etc. Ou seja: atrapalhar os outros pode, receber críticas não. Cadê critério? Sei lá, se eu estou atrapalhando alguém e essa pessoa se manifesta, eu peço desculpas e paro. É o normal, todo mundo erra.

Tenho a convicção de que a maioria das pessoas não está preparada para viver em sociedade. Jogam papel no chão como se a rua não fosse de ninguém, andam a 30 km/h na faixa da esquerda e se ofendem quando o carro de trás dá luz alta, furam fila na sua frente como se você não existisse e, principalmente, ficam com cara de paisagem quando são vítimas desses pequenos golpes sociais. Criar climão pra que, né? Logo a fila anda e você esquece, seu BUNDA-MOLE.

Eu NÃO sou da turma do deixa disso. Ficar em cima do muro é coisa de quem quer se dar bem na vida sem esforço. Ninguém se mete a besta com quem reage. Se todo mundo se manifestasse quando um porcalhão jogasse bituca de cigarro no chão, nós teríamos ruas limpas. Isso não é resultado de lei, isso é questão de civilidade

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Adolescentes. Sempre tão juvenis...

Wanessa Camargo, Xuxa e um rapaz de 34 anos


Se você passou uns poucos minutinhos de bobeira na internet nesta última semana, provavelmente teve contato com a tal "versão" de Back in Black que a banda do tal Tico Santa Cruz defecou na internet.


O motivo é que Tico Santa Cruz estava I-RA-DA com um grupo teen rival: os coloridos, derivados dos emos que se vestem coloridamente (dã) e tocam músicas que, segundo Tico, eram recheadas de "cornices e romantismos baratos".


Vejamos algumas, erm, estrofes que Tico e sua turma latiram na letra da referida versão:


QUEREN MIN CALAR MAIS EU TENHO UMA MIÇÃO, KEBRO O SEU SISTEAM, JOVEMS INDIOTAS E RETARDADOSSS, AFETAODSSSS, CELEBRO DE BROCOLISSSSSS!1!>;
A VERDADEIRRA REBEUDIA EH SER INTELIJENTE!!! TENTARAO ME CALAR MAIS NAUM VAUM CONCEGUIR! ATITUDEEE! ISO NAUM EH ROCK, EU QUERO EH ROCK!1..;


Como qualquer pessoa de bom senso já poderia esperar, a tentativa da banda não vingou. Todos detestaram a música, e entupiram o site em que ela foi divulgada de críticas aos Detonautas, que responderam com sólidos argumentos, como "VOSE NAO INTENDE NADA DE MUSIK!!" ou "ISSO EH COISA DOS INVEJOSOS MIN SUPERE ANTES DE MIN CRITICAR!!>"


Dei uma googleada, e descobri que Tico Santa Cruz completa 34 anos em 2011. Já fez propaganda de Coca-Cola. Já participou - com direito a barraco e ameaça de agressão - de reality show. Da Record, ainda por cima. Já esteve no Faustão. Já esteve no programa da Xuxa.


Opa, peraí. Uma parte do parágrafo acima me chamou bastante a atenção: Tico tem quase trinta-e-quatro-anos-de-idade.


É uma idade em que a maioria das pessoas atinge uma certa maturidade, começa a desfrutar de uma vida profissional sólida, enfim, uma idade em que as pessoas geralmente estão produzindo algo.


Tico Santa Cruz, aos 34 anos de idade, acredita ser um guerrilheiro ideológico líder de uma guerra contra adolescentes de 13, 14 anos. Menos da metade da sua idade.


Sim, porque Restart similares são bandas que tocam músicas para SEMICRIANÇAS. Não são jovens que ditam comportamento, apenas crianças. A moda colorida vai acabar para eles assim que fizerem uns 16 anos. Normal, já aconteceu outras vezes e até pior (dança da garrafa oi?).


Tico diz que "rebeldia é ser inteligente".


Tico Santa Cruz tem 34 anos e xinga pré-adolescentes de CÉREBRO DE BRÓCOLIS. Fico imaginando Tico, sentado em uma mesa, compondo o que ele acredita ser uma importante peça musical de protesto e contracultura:


"BOM AGOAR EU VO OFEMDER ESSES CORORIDOS. Q Q EU POSO FALA AKI EM/ KERO ALGUMA COISA BEM OFENCIVA QUE FASA ELES PARA E PENSA E PIDI COLIM PRA MAMAIN11.lt; 
HUMMM QUE TALZ 'CARA DE PUDIM?/' OU TALVES 'SEUS BUNDA MOLE!1.'
AHHHHH AXEIIII!!!1 VO XAMA ELES DE 'CÉLEBRO DE BROCOLIS1!!;' KKKKKK ELES NUNCA VAI ENTENDE ESSA FUI MUUITO EXPERTO AGORA IAC IAC!!,.!"


E nem foi a primeira vez. Há alguns meses atrás, Tico já tinha tentado sacanear o Restart, e recebeu uma resposta extremamente elegante dos rapazinhos da banda. Trinta e quatro anos, aprendendo educação e civilidade com adolescentes que se vestem assim.


Ou seja, Tico (34) é o Coyote, e os coloridos de todo o Brasil são o Papaléguas.


Mas vem cá... Se não me falha a memória, o tal Detonautas não era aquela banda EMO que surgiu há uns anos atrás? Aindavoteleváproutrolugá não é rock nem aqui nem em Vladivostok. Bom, não importa.


Outro ponto que me chamou a atenção foi o tipo de argumento que o rapaz usou. Segundo ele, os coloridos malvados falam de "cornices" e "romantismo barato".


Pode ser. Vejamos, em 4 exemplos:


Exemplo 1:


Com você vou aonde for
Sinto no ar, deixo rolar
A cor do meu céu não é mais azul
Com seu olhar longe do meu amor
Quem me dera ter um segundo
Pra não te perder

Só você
Me desperta a intenção
De pra sempre te querer
Só você

Vou além
Vou além do céu
E posso me perder
Aonde você for eu vou estar


Exemplo 2:

Meu amor
Quando chove no verão
Sempre tem desabamentos


Exemplo 3:

Hei, Menina 
Você me conquistou 
Me fez ficar apaixonado por você

Sua pele de cor de canela 
Sua graça és linda, quem dera! 
Ter pra mim uma rosa tão bela 
Pra florir o meu jardim

Se te vejo passar em minha fita 
O meu peito acelera, palpita 
Dá um frio no pé da barriga 
Quero essa gatinha pra mim

Se te vejo passar não agüento 
Algo quente me ferve por dentro 
Eu ainda te chamo e te "queixo" 
Quero essa gatinha pra mim


PERGUNTA: De que banda são essas canções?

a. Restart;
b. Cine;
c. Detonautas.


Sem mais. Porque né, quando chove no verão, sempre tem desabamentos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Unidos da Pobreza de Espírito

Eu sei que esse texto é tão previsível quanto inimigos capitais que descobrem ser irmãos em novela das 8, mas o carnaval é tão chato peculiar que merece uma nota.

Juro que nunca vou compreender o sucesso do carnaval. Um monte de gente feia, suada e fedorenta. De novo, sei que vão dizer "MAIS EH BAUM PRA COME UMAS MUIE VOSE NAUM GOSAT NAUM EM//w;" (foi tudo o que os defensores do Caldas Country conseguiram formular em palavras) e, de novo, eu vou responder: gosto de mulher cheirosa e limpinha. Mulher mulé, eu passo; também não aprecio seborréia, herpes e chulé.

Daí fica lá o cara, todo excitadinho, louco pra pegar alguma coisa. Qualquer coisa. Mesmo. O carnaval serve de desculpas para que o sujeito possa enfiar a pingola em qualquer bueiro mulher que apareça, sem peso na consciência: "AHHH EH CARNAVALSS EH FEINHA MEMSO PEGEI SOH PRA CONSTA UMA A MAIS NO CADERNIMMM PEOL MENOS COMIIIII RISOSSSSSSS.;1" 

Ok.

EH NOIZ
Na ânsia de se dar bem (controvérsias mil em "se dar bem"), o cara faz de tudo para chamar a atenção. Como naqueles programas antigos do Discovery: "Agora, o pintassilgo macho mostra toda sua força e habilidade para a fêmea, no ritual de sedução animal". No carnaval, "ritual de sedução animal" significa dançar axé pra menina. Vem cá, existe coisa mais ridícula do que homem dançando axé?

Cidadão brasileiro com seus 20 e tantos anos tirando a camisa e rebolando feito a Demi Moore para conquistar uma gatinha suadinha. Cadê o custo x benefício desse evento, Brasil?

O carnaval é tão ruim que até quem não gosta de ir pra rua biscatear foliar fica chato. O tipo de gente que tenta achar o lado bom em tudo. "Cara, não esquenta a cabeça se você perdeu toda a sua família num acidente de avião. Pelo menos agora a Boeing vai usar o desastre para projetar aviões que não caiam mais, não é legal?"

O representante mais notório dessa espécie asquerosa é o sujeito que gosta de dar uma de descolado, e vem com papinho de marchinha de carnaval. "CARNAVAU OJE EN DIA EH PAIA O POOV SOH KER SABE DE SAFADESA MASSA ERA QDO TINHA AS MARCHINHA DE CARNAVAU O POOV SI DIVERTIA E ERA SUPERALEGRE!1!.;"


Dica #1: Se você gosta de marchinha de carnaval, você é um songamonga. Sua mãe não te criou pra você sair por aí dançando olha a cabeleira do Zezé, será que ele é com dedinho pra cima em carnaval de praça e achar divertido. Vira homem.

Dica #2: Gente engraçada é legal; gente superalegre, não.


Sempre que se fala em folia, o carnaval do Rio de Janeiro é lembrado. Tem gente que jura que a Marquês de Sapucaí é um símbolo brasileiro que é visto lá fora com respeito e admiração.

Aham. Coisa linda.

Quando se pensa na França, logo vem à mente a Torre Eiffel. Quando se pensa em Nova York, o Empire State. Na Itália, as belas italianas de sorriso bonito. Na Inglaterra, a organização. É tudo lindo? Não, eles são cheinhos de defeitos. Mas é a imagem que eles passam.

SO LIMDA
Quando se pensa no Brasil, o que vem a mente é uma Juçara pé-cascudo da vida, com cicatrizes das cesarianas por onde saíram seus 18 filhos (todos nascidos em novembro/dezembro), usando - pouca - roupa com penugem, sambando freneticamente feito barata de costas depois do Baygon e que faz sexo em troca de espelhinhos e pedrinhas bonitas.

É uma imagem que o país faz questão de passar há décadas. Ano retrasado, por exemplo, foi o tal Ano do Brasil na França. Ao invés de mostrar nossas conquistas sociais recentes, o que o governo brasileiro fez? Botou duzentas Juçaras peladas sambando freneticamente na Champs-Élysées. Não é o gringo que é ignorante. Ninguém vai ficar na Wikipedia pesquisando sobre o Brasil. Se eles tem essa imagem de nós, é porque nós passamos essa imagem a eles. Sua mãe, sua irmã, sua filha... o que o brasileiro faz é gritar pro resto do mundo: TUDO PUTA.

E quando você acha que já viu tudo o que de bisonho o carnaval pode ofecerer, 2011 chega todo serelepe e te mostra que tudo pode sempre piorar:


1. O campeão estava todo sapeca foliando em cima do trio elétrico, e tem a ideia genial de *respira fundo* SOLTAR UMA SERPENTINA METÁLICA PERTO DOS FIOS DE ALTA TENSÃO. SOLTAR UMA SERPENTINA METÁLICA PERTO DOS FIOS DE ALTA TENSÃO. SOLTAR UMA SERPENTINA METÁLICA PERTO DOS FIOS DE ALTA TENSÃO. MORREU. UM. MONTE. DE. GENTE.

2.  Foliões ensandecidos (com O QUE, delzdosél?) depredam ônibus do transporte público. Mas mês que vem tá todo mundo na porta da prefeitura reclamando do aumento da passagem e dizendo que os ônibus não prestam.


3. Menina cai de trio elétrico (COMO?) e morre.


E se eu falo alguma coisa, eu sou preconceituoso e mau. 

Na boa, ainda bem que essa festa idiota acabou. Mas ano que vem tem mais. Oh shit.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Como ser cultural

Sabe, o lado ruim de não me meter com a escória do pagode e do sertanejo é que o Lado Branco da Força também tende a levar as coisas a um extremo meio constrangedor. Na ânsia de mostrar ao mundo suas qualidades canto/danço/interpreto, a turminha mais alternativa acaba caindo num clichê quase tão bobo quanto o dos cowboys de posto, pagodeiros do pé amarelo e demais seres invertebrados anaeróbicos.

Ser cultural é a nova onda do momento. Significa que você está antenado com todas as novidades do circuito Nova York-Londres-Paris-Moscou-Eslováquia, mesmo que o lugar mais longe para o qual você já viajou na vida tenha sido Mongaguá. O indivíduo cultural aprende a enxergar cultura e refinamento nos mais singelos objetos: abajures, saboneteiras, cd do Strokes... tudo isso pode ser sinônimo de sofisticação e refinamento.

E o Você de Novo Não!, mais uma vez na vanguarda do comportamento do juvenil jovem do século XXI, vai te deixar por dentro dessa nova mania. Em 5 passos, você aprenderá tudo o que precisa saber para ser um jovem descolado, moderno, antenado e cultural. Entre nessa você também, embarque nessa viagem rumo a esse excitante universo cheio de magia, aventura e paquera.


1. Seja cosmopolita

É a essência do cultural. Todo mundo que quer ser cultural TEM que ser cosmopolita, que significa falar o máximo que você puder sobre Starbucks/Outback/Burger King.

Starbucks tem em toda esquina (literalmente) em qualquer cidade do hemisfério norte. O que eles fazem? Servem café. O americaninho, seja ele um servente de pedreiro ou um estudante universitário, entra na loja, pede um café e, imagine só, bebe o café. Daí ele paga e vai embora.

Mas o indivíduo cultural sulamericano cosmopolita transforma o ato de beber café na Starbucks em uma experiência de som e imagem capaz de aguçar a percepção sensorial e levá-lo a um mundo único de luxúria e prazer. É quase um orgasmo cultural. O cultural consegue experimentar dois tipos de orgasmo relacionados à Starbucks: a) Comprar um café; b) Postar no Twitter que está na Starbucks.

Com Outback e Burger King, é a mesma coisa. Um serve costelinha assada, o outro serve sanduíche vagabundo. Mesmo que o Burger King seja, no seu país de origem, um estabelecimento de higiene e asseio extremamente questionáveis, o homo culturalis faz com que a ingestão de um Whopper seja comparada a um passeio pelos maiores museus do mundo. Uma dose dupla de cultura cosmopolita e urbana.


2. Vá ao teatro

O teatro é a Meca de qualquer pessoa cultural. Assistir a uma peça teatral é banhar-se no mais sagrado rio de cultura e sofisticação. Se você for ao teatro, é garantido que sairá de lá cheio de cultura artístico-dramatúrgica, mesmo que peça em cartaz seja Super Xuxa contra o Baixo Astral. Não tem como errar. Ao dizer "vou ao teatro", seus amigos cosmopolitas e culturais vão te olhar de forma diferente, com reverência e respeito. Refinamento, meu caro. Refinamento...

Portanto, convide os seus amigos e mãos à obra! Depois da peça, vocês podem se reunir no Burger King ou no Hot-Dogue do Cidão (o equivalente da sua cidade ao Burger King, caso você viva nas Patrocínio, Tuiutaba e Paciguara da vida) e debaterem sobre como foi delicada e de bom gosto a interpretação da atriz que fez o papel da Chapéuzinho Vermelho.


3. Diga que gosta de blues

Blues é um baita de um estilo musical legal, com músicas que dificilmente ultrapassam os 3 acordes. Foi criada por negros do sul dos EUA, desafiando a complexidade das músicas então vigentes ao elaborarem um tipo de música cuja execução e composição são bem simples.

Por algum motivo, todo homo culturalis tem que dizer que adora blues. Não precisa realmente gostar, só dizer que gosta. "Po, curto demais um blues." Basta ouvir aquela levada característica que o cara cultural já começa a achar que é do Mississipi.

Já notaram que toda música de blues é "um blues"? Ninguém nunca cita um artista do estilo ou o nome de uma música. É sempre "um blues". 

Se você gosta de rock, diz "ontem tocou Rolling Stones no bar".

Se gosta de pop, diz "ontem tocou Lady Gaga".

Se você é um lixo de gente, diz "ontem tocou Maria Cecília e Rodolfo". 

Mas, se você for cosmopolita, diz: "ontem tocou um blues". É batata.


4. Seja um pseudo-cinéfilo exótico

Filmes de países distantes e de língua não-inglesa aumentam uns 100 pontos no seu culturômetro. Não há nada mais cultural do que cinema francês, tcheco, iraniano ou belga. Cada filme desses equivale à leitura de uma enciclopédia inteira, para a sua bagagem cultural. Quanto mais desconhecido e exótico for o país de origem da película, melhor.

Aqui, o Twitter volta a se tornar extremamente importante. Poste tweets que nem você entende, citando empolgadamente os diretores dos filmes como se todo mundo os conhecesse."Caramba, o último filme do Helmut von Sauerkraut é demais, um dos melhores desta nova safra de diretores germânicos avant-garde."

Filme americano atual, nem pensar. Só se for dos irmãos Coen ou do David Lynch. Spielberg é lixo, tosco, produções enlatadas para as massas manipuladas pelos interesses escusos dos estúdios de Hollywood. Mas lembre-se: 1) Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick são deuses incomparáveis, mesmo que tenham ficado zilionários e você não tenha entendido porra nenhuma de Laranja Mecânica ou Apocalypse Now; 2) É essencial que você saiba de cor todos os diálogos de Amélie Poulain.


5. Seja enólogo

De acordo com a Wikipédia, "Enologia é a ciência que estuda todos os aspectos relativos ao vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e venda."

Ou seja, enologia é a ciência que te ensina a ser um pau no cu. O que a maioria das pessoas trata como suco de uva com álcool, você considera como sendo um néctar dos deuses europeus cuja sabedoria necessária à correta apreciação é resultado de décadas de estudo e experimentação.

Você sai com os amigos, pede um Chateau Zinedine-Zidane da safra de 1876 e, ao invés de beber a droga do vinho, começa a focinhar a taça da mesma forma que um cachorro cheira o próprio rabo. "Que edição divina. Este vinho possui notas suaves de carvalho, combinando leveza e personalidade na medida certa. Tem um sabor moderno, contudo não deixa de lado o tradicionalismo da marca."

Mesmo que o resto do planeta tenha vontade de te assassinar a garrafadas de Chateau Qualquercoisa, seus amigos culturais vão te achar ainda mais sofisticado e conhecedor. Um verdadeiro sommelier. Um boiolão.



Cara, eu devia cobrar pelas dicas que o blog dá. Tá vendo só? Agora você já pode ser culturalzão. Mandem brasa, tesouros.