quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre petralhas e coxinhas

Uma das coisas que mais me intriga no ser humano é a dificuldade que ele tem em mudar de ideia.

Teve a tão aguardada entrevista da Dilma no Jornal Nacional, né? E olha só, independente de qualquer posição política que eu tenha, ela foi mal, muito mal. Evasiva, mal articulada e emocionalmente frágil.


Não estou dizendo que só por conta de uma entrevista mal sucedida ela seja uma má governante. Na verdade, não acho o governo Dilma metade bom do que dizem que é bom, nem metade ruim do que dizem que é ruim. Sei que vão me perguntar o que eu acho, então lá vai, mesmo que minha opinião pessoal a respeito do governo Dilma não tenha nada a ver com o resto do texto: achei fraco. Eu esperava mais. Não tenho certeza se algum outro candidato consegue fazer melhor, mas sou sempre a favor da alternância de poder; pra mim, todo partido deve sair depois de muito tempo de governo, seja ele - o partido - qual for.


Pronto, voltando: gente, acho que até a mãe da Dilma assume que ela foi mal na tal entrevista. Mas o que me chamou a atenção foi o comportamento dos defensores dela no Facebook. Eles culparam a Globo, o El Niño e o Luis Felipe Scolari. Nenhum deles admitiu o mau desempenho da candidata.

Vi até uma tentativa de meme que dizia que a Dilma devia ter indagado o Bonner a respeito das dívidas fiscais da Globo, o que me lembrou bastante o ensino fundamental, quando uma menina chamava (com razão) a atenção do menino e ele dizia "cala a boca, você é gorda".

O que leva pessoas a defenderem pessoas/ideias/coisas que mal conhecem como se estivessem defendendo seus filhos? Que mal há em dizer "É, não foi bem..." Melhor ainda: que mal há em reavaliar o seu pensamento e considerar mudar de ideia? Nem estou dizendo que se deve mudar de ideia; o simples considerar já basta.

Estou usando a entrevista da Dilma como mero exemplo ilustrativo, mas essa inflexibilidade ideológica se manifesta todo dia por aí. Quem nunca viu usuários de iPhone/Galaxy se degladiando em favor dos seus aparelhos, defendendo uma marca como se defendessem a própria mãe do ataque de javalis sanguinários?

Marcas de carro. Times de futebol. Diretores de cinema. Sistemas operacionais de computador. Meu Deus, esses dias eu estava lendo um fórum sobre instrumentos musicais e tinha um coitado conflitando com todo mundo porque diziam que uma marca de violões era ruim!

Isso é normal, até certa idade. Adolescentes costumam mesmo pegar qualquer coisinha e tratar aquilo como absoluto. Experimenta falar mal do Justin Bieber no Twitter...

Só que vai chegar uma hora, ali depois dos seus vinte (e poucos?) anos, que você vai ter que virar adultinho e vai ter que raciocinar. Simplesmente não faz sentido você continuar agindo como uma cheerleader. 



Essa inflexibilidade está muito ligada à ignorância. Se alguém defende algo ferrenhamente, mas mostra conhecimento sobre o assunto, ok. Acontece que na grande maioria das vezes as pessoas que agem como defensores incondicionais de algo/alguém não têm muita noção do que estão falando, muito menos do que estão defendendo. Parece que se apegam a uma ideia que acham que é de um jeito (e não é) e, por isso, defendem essa ideia projetada, fruto da própria fantasia, que foi injetada na pessoa ou coisa a ser defendida. 

Um claro exemplo disso é a batalha verborrágica. O argumento de quem não gosta da Dilma é "Esse PTralhas estão acabando com o Brasil!"; quem não gosta do Aécio geralmente diz "Aécio, político dos coxinhas!".

Ord dord.

Tenho três questionamentos pra você. Responda com sinceridade:
1) Você sabe qual é a diferença entre Senado e Câmara, o que cada um faz?
2) E a diferença entre deputados estaduais e federais? Sabe? 
3) Você sabe o que é de competência do Presidente da República e o que é de competência do Congresso Nacional? Em outras palavras: você sabe quais são as funções do Presidente?
São assuntos simples, mas acho que 95% das pessoas não sabem. Duvida? Tire a prova, pergunte para o coleguinha ao lado.

Ou seja, gente que desconhece a estrutura básica da política brasileira tá aí cheio de opinião no Facebook, contribuindo pra espalhar um monte de opinião cocô por aí porque acha que fulano é coxinha, sicrano é PTralha, beltrano é jedi e trelano é elfo.

Prestenção: nem a Dilma é "petralha", nem o Aécio é "coxinha", e tanto o governo do FHC quanto o do Lula tiveram seus erros e acertos. São governantes, e é facinho facinho aí pra você pesquisar o que os candidatos de hoje fizeram ou não fizeram, o que prometeram e o que cumpriram ou não e as justificativas de cada um para seus sucessos e fracassos. Dê um tempo na discussão de Facebook, pare de compartilhar posts dos outros, esqueça um pouco os blogs de opinião e pesquise por conta própria, de forma imparcial. Não é física quântica; é moleza, você só precisa querer pensar. Informe-se, e, com base nos acertos e erros de cada um, escolha aquele candidato que, na sua opinião, acertou mais.

As pessoas são maniqueístas. Elas preferem pensar no herói x vilão, na luta do bem contra o mal. Ou a pessoa é boa, ou ela é má. Talvez por pura preguiça de pensar, a voz do povo tem dificuldade de entender pessoas e situações como ambíguas, complexas, e que é muito difícil - embora não seja impossível, em alguns casos - etiquetá-las em uma categoria. Ama-se a ideia, projetando-a em alguém. Daí a defesa incondicional e apaixonada.

E agora eu vou terminar esse texto de forma extremamente original e gloriosa:


O amor é cego.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sobre Veja, Carta Capital, Beatles e os Rolling Stones

Beleza, a Copa está aí, os protestos também, as eleições também. Com eles, um número enorme de pessoas passou a discutir política e sociedade nas redes sociais (ou já discutiam antes e ninguém notava).

Isso é bom e ruim. Bom porque mostra que as pessoas estão - ou acham que estão - atentas a um assunto importante, e ruim porque, na maioria das vezes, é só torcida irracional de futebol: pessoas defendendo/atacando coisas que eles não defenderiam/atacariam se elas tivessem sido feitas pelo time rival outro partido. Basicamente assim:

1) Se o mensalão tivesse acontecido no governo tucano, quem acha que Dirceu & cia. são inocentes e injustiçados estaria querendo a cabeça do Aécio na ponta de uma lança;

2) Se o FHC tivesse trazido a Copa, ia ter tucanista defendendo, falando de legado etc.

Como se política fosse esporte. Como se PT e PSDB fossem assim tão diferentes. Como se fosse errado mudar de ideia e admitir que você estava errado quando defendeu ou apoiou tal candidato que depois acabou te surpreendendo, para o bem ou para o mal. Como se o governo que você apoia fosse melhor para o país só porque tem a sua torcida. 

Nessas discussões, é muito comum que as pessoas façam o uso de links de reportagens para embasar suas opiniões. Normal, todo mundo quer estar certo e provar que está falando a coisa certa.

Inevitavelmente, a Veja acaba sendo citada. 

Aliás, antes de continuar, vou escrever um pequeno manifesto. São apenas 3 frases, bem objetivas e da forma mais simples possível, que é pra não causar confusão na cabeça de quem tem dificuldade:

EU NÃO GOSTO DA REVISTA VEJA. ACHO ELA MUITO PANFLETÁRIA. RARAMENTE LEIO.

Acontece que o fato de eu não gostar uma revista (ou de alguém) não significa que 100% do que ela publica é bobagem. Não é. Existem matérias ruins e boas na Veja, assim como na Carta Capital, igualmente tendenciosa e panfletária.

Aí acontece de alguém postar uma matéria da Veja que, se você ler, pode até ser que ache ali algum sentido. Mas as pessoas preferem limitar-se a dizer "Tsc tsc, Veja, não vou nem comentar." Coisa mais chata.

Engraçado que já vi mais de uma vez colocarem um link pra alguma reportagem da Carta Capital como resposta ao link da Veja. De novo: são revistas basicamente idênticas, só que uma gosta dos Beatles e a outra prefere os Rolling Stones.

Às vezes é irresistível dar uma sacaneada em quem está falando, eu sei. Quer descer a lenha no coleguinha? Manda ver, mas pelo menos dá uma lida nas fontes que ele tá usando. Vai que...

Ou então você pode simplesmente dizer "isso é lixo porque odeio a Veja / Carta Capital / Caros Amigos / Piauí / Marie Claire" e continuar sendo juvenil. A escolha é sua.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sobre espancar bandidos

1) Não tenho dó nenhuma. Não tenho dó de menino amarrado ao poste, de viciado em crack sem casa pra morar, de ladrão dividindo uma cela de 5m² com outros 30... Mas também não acho que é certo espancar. Não resolve nada, e quem acha que resolve é meio burrinho. Qualquer dia desses, você, "cidadão de bem", comete um descuido, bate no carro de alguém, e pode ser espancado pela "justiça popular" também. 

2) Por mais adversas que tenham sido as condições sob as quais essas pessoas foram criadas, outras pessoas também foram criadas bem ao lado delas e se tornaram gente digna. O papinho de que criminosos são produtos do meio não cola, é conversinha de quem acha que sabe sociologia, mas não sabe. O meio é um dos fatores que faz com que as pessoas façam escolhas erradas - daí porque a criminalidade quase sempre é maior em regiões mais pobres -, mas não o único. Não acho que pobreza sirva como salvo-conduto para ninguém sair por aí cometendo delitos. Pobreza não é atenuante.

3) Tem emprego pra todo mundo, viu? Taxa de desemprego em dezembro de 2013: 4,3%.

4) Impossível não olhar pra isso tudo e pensar a que ponto as coisas chegaram, quando mais da metade da população de um país defende o livre espancamento e tortura de outras pessoas no meio da rua. É fácil virar e falar "bárbaros!", mas eu vejo por outro lado. Se chegou a esse ponto, é porque a coisa tá feia, ninguém aguenta mais. É preciso interpretar os sinais que a sociedade dá. Entramos em ebulição.

5) Ninguém vai fazer nada. O Código de Processo Penal não será mudado (pelo menos não de forma satisfatória), não vão fazer mais escolas na periferia (pelo menos não de forma satisfatória), não vamos construir mais presídios ou melhorar os que já temos (pelo menos não de forma satisfatória) e não vamos ter mais policiais na rua (pelo menos não de forma satisfatória).

6) E agora?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Eu acreditei

Pode não parecer, mas eu costumo ser um cara otimista. Fico postando reclamações na internet, mas é muito mais pra fazer graça e piada do que por revolta.

O Brasil vai sediar a Copa, né? Enquanto a maioria das pessoas que eu conheço eram contra, eu era a favor. Achei, sim, que a Copa poderia deixar um legado bacana para o país: civilidade nos estádios, infraestrutura revigorada, aeroportos modernizados e, principalmente, know-how em como organizar eventos e treinar material humano para lidar com o público. Sempre fomos um país no qual as pessoas não sabem organizar eventos; nossos seguranças são treinados para dizer "não" a tudo, ninguém orienta ou informa o público, vivemos sob a nuvem negra da desorganização há séculos.

Achei que isso poderia mudar. Como o país estava melhorando - e estava mesmo -, eu achei que esse seria o nosso próximo passo.

Eu também achava que, sob os olhos do mundo inteiro, ficaria mais difícil fazer tramoia com o dinheiro público, e que, até mesmo por inteligência, os próprios políticos brasileiros aproveitariam a visibilidade para fazer tudo certinho, dentro do moralmente aceitável e cumprindo orçamento e cronograma.

Como já escrevi inúmeras vezes no blog, nunca achei - e ainda não acho - brasileiros inferiores a nenhum outro povo. Sei que, na América Latina, somos um oásis em meio a tanta mediocridade. Bati na tecla de que somos capazes, e que o Brasil é muito melhor do que as pessoas pensam que é. Sempre ressaltei que gringos também roubam, matam, aplicam golpes... Acreditei que colheríamos os frutos sociais da economia aquecida, com um povo mais bem educado e instruído.

Pois é. Só que 2014 chegou, e a primeira coisa que ele fez foi me dar um soco na cara e gritar no meu focinho:

"Você é um idiota. Você estava errado. Sua anta!"

A preparação do país para a Copa do Mundo está sendo muito pior do que eu jamais poderia supor. É o fim da picada. Estamos passando um vexame internacional, dia após dia, hora após hora. O mundo inteiro está falando mal da gente. Estamos sendo - e com razão - retratados como preguiçosos, burros, mentirosos e incapazes.

Sabe os aeroportos que o Lula jurou que seriam modernizados? Não foram. Inclusive, dois dos maiores deles só foram leiloados em dezembro do ano passado, seis meses antes do torneio.

Sabe as obras de acesso e infraestrutura que disseram que iam mudar a cara das cidades brasileiras? Então, elas não estão prontas. Na verdade, a maioria delas sequer ficará.

Sabe o treinamento de pessoal para botar em prática a hospitalidade brasileira? Então, olha aqui o quanto estamos bem encaminhados.

O orçamento, que eu achei que não teriam coragem de estourar porque tava todo mundo olhando? Estouraram sim.

O cronograma, que eu supus que seria cumprido até por achar que seria uma boa propaganda política e partidária? Cumpriram não.

Mas teremos estádio de padrão internacional em Manaus, Cuiabá, Fortaleza, Natal e Brasília, capitais de estados absolutamente irrelevantes para o futebol nacional. Sabe a origem da expressão elefante branco? Não? Aprenda rapidinho aqui.

A humilhação planetária pela qual estamos passando chegou a tal ponto que, pela primeira vez na história, uma cidade-sede está correndo o risco de ser descartada a poucos meses do início da Copa. O governo paranaense não quis fazer como todos os outros e botar mais dinheiro público em uma obra que deveria ser privada. Ponto para eles.

A organização de uma boa Copa do Mundo foi meio que meu último fio de esperança de ver o Brasil andar pra frente. De atrair investimentos, de nos colocar no cenário internacional como um país sólido e confiável. Eu acreditei, caí no conto. Governo e empresários me disseram que seria legal e eu acreditei, porque eu queria acreditar. O Caetano Veloso, que é meu amigo, até gravou um vídeo pra mim na época, mas eu não me liguei:




Demorou, mas o meu descontentamento finalmente veio. Hoje, já não acredito mais no país que, dia após dia, joga no lixo boas oportunidades de se tornar melhor. 

Não temos know-how. O atendimento em estabelecimentos comerciais é despreparado e desinformado, e não sabemos organizar eventos. Brasil Open de Tênis, com participação do tenista #1 do mundo? Uma zona. Shows no maior estádio da maior cidade do país? Uma selva, de duas a três horas até você encontrar um taxi que aceite te levar pra casa por menos de R$ 200. Grand Prix de Fórmula 1? Tem que ser muito herói pra encarar, porque vai ser tratado pior do que porco. Somos desrespeitados o tempo todo.

Não temos educação. Vaiamos nossos próprios atletas, brigamos em estádios (e fora deles), furamos fila, nos amontoamos no metrô, jogamos lixo na rua, entupimos nossos carros de caixas de som, incomodando quarteirões inteiros...

Nossa cultura é uma piada de mau gosto. Ouvimos música rudimentar e sem alma, feita para gente que não pensa e não exige; assistimos a mesmíssima história sendo (mal) contada nas novelas desde os anos 60; fazemos de um reality show estúpido um fenômeno de audiência; o apresentador mais assistido do país faz humor com "a mangueira do Ricardão que não dá mais no couro".

Formamos, em universidades, pessoas que não sabem acentuar uma proparoxítona.

Temos um bazilhão de habitantes, mas nossa cultura esportiva é parca. O futebol é praticamente o único esporte do país. Fora ele, temos um ou outro herói solitário do calibre de um Guga, um Arthur Zanetti, um Robert Scheidt, que chegaram onde chegaram porque nasceram com um talento descomunal e se viraram sozinhos.

Aliás, nem o futebol consegue ser confiável. É um show de estupidez e desonestidade. Jogadores, dirigentes, patrocinadores, torcedores... Todos burros.

Não somos os únicos. Gringos não são todos educados. Não inventamos a briga de torcida, os sistemas de segurança patrimonial e nem a arma de fogo. Mas teimamos em não melhorar. Na verdade, nós não estamos dando a mínima para melhorar.

O pior de tudo é que nós nos acostumamos a tudo isso. Nós aceitamos e alimentamos o bizarro. Já nem notamos o quanto nossas ruas são sujas. Estamos acostumados a ser intimidados por bandidos. Passamos até a defendê-los, dizendo que são unicamente produto do meio, desprezando a imensa maioria de gente que nasceu e foi criada no mesmo bairro do assaltante e é honesta. (Parêntese para quem sofre de interpretação criativa de texto: não sou pró-Sheherazade e não concordo com quase nada do que ela diz)

Colocamos cercas elétricas em nossas casas e, caso sejamos vítimas de um assalto, agradecemos a Deus por estarmos vivos, como se tivéssemos tido sorte. Valeu aí, Deus.

Há décadas dizem que o Brasil é o "país do futuro", mas nossas estradas continuam esburacadas, nossas cidades continuam horrorosas e nós continuamos com medo. Lixo nas ruas não é normalMedo da violência não é normal. Obra pública que leva uma década para ficar pronta não é normal

Além de termos nos acostumado com o errado, também fazemos questão de mostrar para o mundo que somos assim mesmo, desse jeitinho. No sorteio das chaves da Copa, no momento em que o Brasil fazia a sua primeira apresentação para o mundo, o telão só mostrou gente dançando na rua. Salvador? Gente dançando na rua. Rio? Gente dançando na rua. Porto Alegre? Gente dançando na rua. Nós gostamos de mostrar ao mundo que somos bobos-alegres sem mais nada pra fazer além de dançar na droga da rua. Símios, sim, mas contentes, pelo menos.

Não gosta de micareta, de festa sertaneja, de carnaval? Logo te fazem parecer que você é o errado, o revoltado. Porque você tem que ir aonde todo mundo vai, você tem que gostar do que todo mundo gosta. É um país onde tudo vem sendo nivelado por baixo há muito tempo. Aqui, ninguém tem o direito de negar a mediocridade.

Eu botava fé na nossa presidente, que assumiu com um discurso ousado, só pra mais tarde se revelar como uma pessoa de baixíssima diligência. Mesmo que fosse esperta, temos um Congresso Nacional que, quando não é corrupto, é burro, assim como quem os colocou lá. Pagamos a multa de condenados por corrupção e elegemos bandidos para vereador, deputado, senador...

Falando nisso, a imensa maioria do nosso povo não faz a menor ideia da diferença entre os cargos de presidente e deputado ou senador, quem faz o quê.

Por outro lado, muitos de nós são bons cidadãos. Acho até que a grande maioria é honesta, ainda que tola. E você, pessoa honesta, quer gastar o seu dinheiro comprando coisas legais para você, né?

Pode não. Tudo é caro, tudo é muito caro. Somos reféns de uma política tributária protecionista. Acontece que, com a abertura do mercado no início dos anos 90, as empresas nacionais que essa política visava proteger já nem existem mais. Mas a lei não muda, simplesmente por falta de vontade. O governo vê o brasileiro deixando 2,2 bilhões de reais no exterior e faz o que, para fazer com que esse dinheiro circule por aqui? Nada. 

Quer dizer, faz sim. Faz a mesma coisa que o segurança mal treinado de qualquer evento no Brasil faz: diz "não". Você viaja, e gasta no exterior um dinheiro que até preferia poder gastar aqui. Dinheiro seu, honesto. Quando você volta, a Receita Federal te trata como se você fosse bandido. Você fica com medo, a pessoa abre a sua mala e começa a perguntar quanto custou isso, quanto custou aquilo. Te revistam! É humilhante.

Os tributos pagos também não servem pra muita coisa. Escolas, hospitais, estradas, iluminação pública, segurança? É tudo ruim, da pior qualidade. A Administração Pública não é capaz de construir um quebra-mola sequer que não precise de reparos 6 meses depois.

Eu queria não ter tido vontade de escrever este texto. Continuo achando que não somos o pior país do mundo, mas já não acredito mais que podemos ser um dos melhores. E a tristeza nisso tudo é que não podemos reclamar que nunca tivemos oportunidadeS.

Mas dançar na rua a gente pode.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sobre os rolezinhos e tal

Eu prometi que não ia emitir uma palavra sobre eles, mas como até agora não ouvi nenhuma opinião sobre esses rolezinhos que não seja completamente imbecil, não me aguentei. Vou tentar ser o mais breve e objetivo possível, mas sei que vai ter gente que não vai fazer a menor questão de entender ou concordar.

Vamos pegar como exemplo, o triste caso do menino que morreu essa semana em São Paulo. Descobriram que ele não foi torturado coisa nenhuma, como alguns desconfiaram, e sim cometeu suicídio. Uma pena. Acontece que fizeram até protesto contra a homofobia por conta desse caso. Teve até celebridades lá no meio, defendendo o fim da violência fundada no preconceito contra homossexuais, homoafetivos, sei lá qual termo tá na moda agora em janeiro.

Não entra na minha cabeça como uma pessoa pode se preocupar com a orientação sexual de outras pessoas que ela sequer conhece. Nunca vou entender como a orientação sexual de José interfere na vida de Pedro.

Só que no caso ali do primeiro parágrafo, não houve crime de homofobia nenhum. Um cara pulou do viaduto. Gay, hetero, tanto faz, mas, por ele ser gay, a galerinha já sai cega, latindo contra a homofobia, transformando suicídio em crime de ódio, sem nem olhar as circunstâncias e evidências antes.

É o mesmo princípio com o tal rolezinho. O problema é bem simples, até uma criança de 5 anos consegue entender: ele impossibilita o funcionamento normal dos shoppings (MILHARES de pessoas ao mesmo tempo no mesmo ambiente, faz a conta aí). Duvida? Busca no YouTube pra você ter ideia de como são alguns desses passeios. 

Acontece que as devassinhas do socialismo aparecem com aquele papo-colegial manjado de discriminação e luta de classes, que até pode se aplicar a outros casos, mas não a esse.

"Mimimi, só porque são negros!"
"Mimimi, a burguesia não quer o proletariado frequentando suas dependências!"
"Mimimi, não tem lazer onde eles moram, é a revolução da periferia!"
"Mimimi polícia opressora!"

2014, e tem gente falando em burguesia. Gente, VOCÊS SABEM O QUE FOI A BURGUESIA? Isso é ensinado no segundo colegial. 

Os lojistas não estão fechando as lojas só por causa dos furtos. Furtos vão acontecer sempre que alguém de má índole tiver a oportunidade de cometê-los, seja branco, negro, rico ou pobre. A maioria daquelas pessoas quer mesmo é se divertir, pegar mulher, enfim, zoar. Só que uma coisa é zoar em 10, 20, 50, pessoas. Outra é colocar mil e tantos indivíduos ali. Vai criar a oportunidade para que pessoas façam merda, vai desorganizar, vai afugentar outros clientes. 

Shoppings foram criados por particulares (de novo tem gente pensando que o privado é público) para oferecer um ambiente mais sossegado do que o centro da cidade para que as pessoas façam compras e comam. Se alguém, com esse propósito, chega lá e o negócio tá entupido de gente nos corredores (mais uma vez, ressalto, sejam essas pessoas brancas ou negras ou magentas ou fúcsias), é claro que vai pra outro lugar.

Quer discutir periferia, luta de classes, o final de Lost, o tapetão do Fluminense? Beleza, mas o faça em casos que tenham real relação com essas temáticas. 

Será que um dia esse país vai deixar de lado essa ondinha esquerdista? Já deu, a maior parte do mundo civilizado abandonou isso há décadas e ninguém tá sentindo a menor falta. Pelamordedeus, vamo educar esse povo com sociologia de verdade e atual. Tá passando da hora dessa galera parar de se achar inteligente porque tá recitando um discurso fraco, pobre e absolutamente ultrapassado. Já passou da hora de o Brasil saber que o socialismo não deu certo.



Anexo pra quem tem dificuldade:

Este não é um texto de direita. A pessoa que acha ruim frequentar lugares que tenham presença de quem veio da periferia é a mesma que vai pros EUA e pra Europa e volta falando que lá é muito legal porque tanto o 'pobre' quanto o 'rico' compram as mesmas coisas e frequentam os mesmos lugares. Trata-se de um texto sobre pertinência temática, capice?

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

As redes sociais

Simples: todos usamos, todos gostamos. 


Facebook

A rede do Mark Zuckerberg é muito bem feita. Raramente dá bugs - o que é raro para um site com um quatrilhão de usuários -, e tem diversas opções de privacidade e compartilhamento. Com o Facebook em si, não tem nada errado.

-> Ao longo do texto, vou dar algumas dicas para que o leitor tenha uma vida melhor. A primeira é: quem reclama de falta de privacidade na web tá é querendo atenção. Praticamente todos os aplicativos e sites possuem opções de privacidade. Se você reclama que é exposto, é porque se expõe demais. Vá capinar um lote.

No Facebook, a integração é total. Você mantém contato com pessoas que, apesar de não estarem presentes no seu cotidiano, são gente que você quer bem. E isso é legal pra caramba.


Pontos negativos

O problema é quem usa. Quer dizer, o problema é quantos usam. O Facebook está esturricado de gente. Do ponto de vista "lotação", é uma 25 de Março virtual. Todo mundo posta. A mesma coisa. Ao mesmo tempo. O tempo todo.

O Natal, por exemplo... Todos postando mensagens natalinas de paz, amor, esperança e outras coisas subjetivas e genéricas que, na verdade, não dizem nada a ninguém, mas todo mundo posta. São 48 horas ininterruptas de mensagens natalinas padrão. 

A mesma coisa acontece com algum meme ou vídeo viral. Saiu o vídeo do Homem-Aranha passeando por Nova York? Vários amigos seus já postaram, e a probabilidade de que seus amigos também tenham recebidos esse vídeo nas suas timelines é imensa? Não importa, você também vai postar. Lançaram o aplicativo que faz aquelas caricaturinhas cretinas? Você também vai fazer a sua, sendo o quadragésimo amigo postando isso hoje.

Eu gostava do Facebook, mas ando achando meio chato. Tá super popular, o que, em si, não é um problema. Muita gente gosta. Mas o popular é, quase sempre, trivial e raso; se você sente vontade de consumir conteúdo melhor selecionado sem ter que garimpar muito, é melhor não contar com o Facebook.



Twitter


A minha rede preferida. O Twitter é o lugar onde as pessoas falam o que pensam. Simples assim. Não tem viral, não tem foto - até tem, mas ninguém usa) -, o foco é o texto. E cada tweet tem no máximo 140 caracteres, o que faz com que tudo o que você escreva no Twitter seja passageiro. Seus seguidores vão ler e pronto; amanhã, o papo já é outro. 

Gosto muito desse formato. Por ser essencialmente textual, o Twitter não é o veículo através do qual as pessoas dão vazão às suas vaidades. O grande trunfo do Twitter é que, nele, as pessoas não estão preocupadas em fazer média. Ninguém dá "curtidas" no que você posta, porque não tem joinha no Twitter. O máximo que pode acontecer é a pessoa encaminhar seu tweet para que os seguidores dela também vejam. 

Outro ponto positivo: sua mãe não está no Twitter.

Pontos negativos

Às vezes (e só às vezes mesmo), fica meio paradão. Mas é o preço que se paga por não ter o mesmo número de gente do Facebook. Caso contrário, os usuários do Twitter também estariam expostos a um oceano de bobagens.


Instagram

Custeeeei a gostar do Instagram, porque, no início, era coisa de hipster. Os sou-alternativo-só-por-ser-alternativo usavam o app para postar quase que exclusivamente fotos de comida, abusando dos filtros de qualidade duvidosa que o app disponibiliza. 

Popularizou, pero no mucho. Hoje, o Instagram é uma espécie de Twitter de fotos semi-instantâneas. Não sei vocês, mas eu geralmente gosto de ver as fotos que as pessoas postam. De verdade.

Pontos negativos

O Instagram é uma rede social exclusiva para fotos e vídeos curtos, mas sempre vai ter alguém postando imagens com frases - lições de vida e autoajuda - para as quais ninguém dá a mínima. Sempre.

-> Dica #2. Aqui está o tanto que as pessoas ligam para as suas fotos de comida:








Também sempre vai ter quem poste alguma foto do Chapolin Sicero.

-> Dica pra vida toda: nunca confie em quem posta coisa do Chapolin Sincero.

O duro é que, como em qualquer outro lugar do mundo, você estará sujeito à falta de bom senso dos humanos. Fotos de biquinho, de pés, de machucados... As pessoas estão carentes de tal forma que se o indivíduo sofreu uma fratura exposta num acidente de moto com uma Scania, coloca no Instagram.


Tinder

Aqui, ó.


Whatsapp

Legal, mas faz basicamente a mesma coisa que todo programa de chat faz desde 1999. A parte boa foi que eliminou pra sempre as mensagens SMS.

-> Outra dica preciosa: também não confie em quem manda SMS nesta década.


Enfim, é isso. Texto atípico, escrito em 5 segundos, mas achei pertinente.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Este não é um texto sobre futebol

Beleza, brigaram de novo num estádio de futebol no Brasil. Mais uma vez, com pisão na cara, paulada e sangue. Quatro docinhos de côco foram hospitalizados.

Três pontos bem sucintos para que eu consiga desenvolver meu argumento:

1. Quem financia as organizadas são os clubes. Dão ônibus, ingresso, fazem reunião com os líderes etc.

2. Os brigões são sempre os mesmos, e são conhecidos de todos. Tem imagem de tv dos mesmos caras brigando em Brasília e, meses depois, em Joinville.

3. Futebol é um evento privado. Privado e milionário. Tem muita gente ganhando muito dinheiro com os jogos.

E qual foi a solução encontrada pela enorme maioria das pessoas, inclusive por praticamente toda a mídia esportiva? --------> Policiamento nos estádios. 

Defende-se que o governo deve tirar os policiais da rua e levar para o estádio, para que dêem as mãos e façam cordõezinhos de isolamento, de modo a evitar que a macacada se pegue no sopapo. Num evento privado. Que visa o lucro.

O clube sabe quem briga e, mesmo assim, paga a ida dessas pessoas ao estádio, num evento no qual ele está ganhando dinheiro, e ainda querem que a segurança seja feita de graça, por quem teria que estar nas ruas a serviço do cidadão comum?

É muita burrice. Mania que brasileiro tem de achar que futebol é público. Não tem muito tempo, uns bbk foram às ruas protestar pela renúncia do presidente da CBF. Pra mim, é a mesma coisa que eu ir a Brasília pedir, sei lá, a saída do CEO da Nestlé, porque odeio aquela nova caixinha de bombons deles.

É nessas horas que me pego pensando: será que só a sociedade brasileira é jumenta assim, ou outros países têm a mesma opinião sobre esse assunto? Temos conserto? Dá pra educar essa gente? Essas pessoas vão, em algum momento, parar de falar bobagem?

Se é privado e se visa o lucro, então que os dirigentes se virem para garantir a segurança dentro do estádio. Parar de botar dinheiro na mão de marginal de torcida organizada, que tal? A PM cuida do lado de fora - esse sim, público. Na preguiça/incompetência/ganância, acabam jogando a batata quente nas mãos do Estado. Pra mim, este só tem que se preocupar em enrijecer as leis penais e assegurar o eficaz cumprimento delas.

Ora, se eu quiser organizar um show de música no mesmo estádio, vou ter que contratar uma empresa de segurança privada. Se eu quiser abrir uma casa noturna, mesma coisa. Por que com o futebol tem que ser diferente? Só porque é mais popular? É popular, não público; visa lucro, não filantropia. Qual é a dificuldade de se entender isso?


"AI, MAS EU AMO O MEU TIME! FUTEBOL É DIFERENTE!"

Amigo, entendo você gostar de futebol. Também gosto! Torço para o meu time e para outros, dependendo das circunstâncias. Gosto mais do esporte do que do meu time, aliás: se ele estiver jogando mal, desligo a tv no fim do jogo e vou tranquilamente jogar aquele bingo gostoso no clube. Vou sofrer por conta de TIME? Desculpa, não consigo.

Agora, se você AMA um time e chora/sofre por ele, é sinal de que você está desregulado. Existe alguma lacuna muito grande e dolorosa na sua alma, e um bom psicólogo certamente poderá te ajudar a solucionar essa irregularidade emocional que tanto judia do seu coração.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Dormiu com o Bozo?

Morreu o Paul Walker. Uma morte violenta em um acidente horroroso. E é claro que poucos minutos após a divulgação da morte do cara, a internet já estava tomada por um mar de piadas sobre o acontecido. "PAUL DRIVER KKKK", "NOSSA QUE IRONIA NAUM EH MESMO *RS", "VELOS FURIOZO E MORTO RSRS ".

Longe de mim querer limitar o humor. Faz tempo que digo que a onda do politicamente correto tem deixado a vida em sociedade muito mais chata. Não pode falar isso, não pode falar aquilo, enfim, você tem que viver pisando em ovos. Daqui a pouco você não vai poder sair na rua vestindo uma camiseta amarela porque vai ofender alguma minoria que tem alguma treta com o amarelo. 

Há os que argumentem que piadas com tragédias não deviam ser feitas, porque, entre outros motivos, desrespeitam a memória e a família dos mortos. É um ponto a ser considerado. Até acho que não se deva fazer piadas desabonadoras, mas também acredito que existem - pouquíssimas - piadas que são respeitosas e até, em alguns ínfimos casos, homenageatórias, mas entendo quem ache que não se deva fazer qualquer tipo de humor com os que se foram recentemente e de forma trágica. 

Exemplo de piadinha homenageatória (nem sei se essa palavra existe): 
Quando o Senna morreu, chegou no céu e perguntou: O Ratzemberger já chegou? (Piloto austríaco morto um dia antes, no mesmo circuito)

São Pedro responde: "Ainda não."

Senna: "GANHEI! _o/"
(Não sei se homenageia o Ratzenberger, mas pelo menos homenageia o Senna. :)

De qualquer forma, acho que o problema nem é fazer ou não a piada; o problema é ela ser engraçada. A internet trouxe com ela uma legião de humoristas que você não vê na vida "real". Gente incapaz de fazer uma piada numa mesa de bar se transforma no Chico Anysio quando vai para trás do computador. Todo mundo quer ser engraçado, e o distanciamento proporcionado pela internet faz com que muita gente, que da porta pra fora é tão engraçada quanto um traumatismo craniano, se meta a tentar fazer rir.

Todos nós já erramos algumas vezes na hora de fazer graça, mas tem quem erre praticamente o tempo inteiro, né?

Percebo isso com muita clareza no Facebook. Quando algum amigo posta alguma coisa séria, sempre surge um Zé Bonitinho pra fazer piadinha nos comentários. Muitas vezes, quem postou está se sentindo mal ou buscando aconselhamento em um assunto importante, e a turma da Zorra Total da web logo aparece, tentando fazer graça a qualquer custo e raramente conseguindo. É praticamente impossível postar alguma coisa nas redes sociais sem que alguém venha e tente fazer graça. E ai de você se ousar dizer que não tá a fim de ouvir gracinha naquele momento.

Postou uma opinião? 
Piadinha.

Postou uma foto?
Piadinha.

Postou um pedido pra doação de órgãos?
Piadinha.

Hora ou outra, tudo bem... Mas toda hora?

Ironicamente, as pessoas mais engraçadas que eu conheço fazem pouca piada nos seus perfis do Facebook (e nos dos outros); quando o fazem, são piadas certeiras e - veja só você! - engraçadas.

Assim como não é qualquer um que desenha, canta ou interpreta, também não é qualquer um que sabe ser engraçado. Humor é oportunidade, não necessidade. Tem que ter competência, e, principalmente, timing (também conhecido como "bom senso"). Se a pessoa não nasceu com isso, dificilmente vai adquirir.

Aliás, se uma pessoa não é engraçada, não quer dizer que ela não tenha graça. Ninguém tem obrigação de ficar fazendo os outros rirem o tempo todo. Você pode ser legal de várias outras maneiras para as quais tenha mais talento. Vale sempre lembrar de um precioso conselho que a Desciclopédia dá sempre que um usuário vai editar algum artigo:

"Seja engraçado, não babaca."




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