quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

É carnaval! Oba!

Lista de coisas que eu prefiro fazer ao invés de ir pular carnaval de rua numa cidadela qualquer aqui da região:
  • Aprender a tocar as canções do Djavan no violão;
  • Participar do Dança dos Famosos;
  • Fazer uma tatuagem tribal no cóccix;
  • Bater papo com hipsters a respeito da superioridade do vinil;
  • Colar um adesivo da Apple no carro;
  • Ouvir um cd inteiro do Pato Fu;
  • Usar boné à noite;
  • Escolher esperar;
  • Gravar um vídeo meu dançando Kid Abelha e postar no YouTube;
  • Ler todas as frases motivadoras que o povo põe no Instagram;
  • Fazer maratona de Glee;
  • Postar no Facebook que o Los Hermanos é a melhor banda do mundo;
  • Ler a saga Crepúsculo em espanhol;
  • Ler a saga Crepúsculo em qualquer idioma;
  • Competir em uma gincana;
  • Morrer queimado.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

País de peão.

Um país em que 530 mil estudantes tiram nota ZERO no exame de admissão pra faculdade não tem condições de evoluir. Todo mundo sabe que a chave pro desenvolvimento de uma nação é a educação, e os exemplos ao redor do mundo são vários.

Não adianta nada botar a pessoa na escola se ela não é avaliada. Não adianta ter Pronatec, que todo mundo sabe que tem pouquíssimos alunos e a qualidade do ensino é pavorosa. Não adianta dar autorização de funcionamento pra faculdade safada.

O ensino no Brasil, de modo geral, é de péssima qualidade. Pensa-se em quantidade, a qualidade é mero detalhe. É muito bonito chegar no programa eleitoral e dizer "botamos 50 bilhões de crianças na escola", só não dizem é que elas continuam analfabetas. Também é lindo dizer "o filho do pedreiro vai virar doutor", mas não dizem que, depois de formado, ele vai ganhar menos do que o pedreiro, pois não tem a menor condição de entrar num mercado competitivo. Em poucos anos de fórum, eu já li "audiênsia", "protocolisado", "exepsionalmente" e "ele pagou mais não levou". Um mercado de peixes chinês tem mais refino.

Educação, no Brasil, é pra inglês ver. País de peão.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Minha tentativa de debate eleitoral racional

Tô vendo que a discussão sobre o segundo turno virou uma luta do bem contra o mal, de Jesus contra o diabo. Na minha opinião, não existe modo mais raso e superficial de se encarar uma eleição. Vou tentar contribuir com alguns pontos, e queria muito que este tópico não virasse uma briga partidária mongol.
(Antes, uma informação: NÃO SOU ANTI-PT NEM ANTI-PSDB.)
- Ninguém é santo, ninguém é demônio. Simples, né? PT e PSDB têm erros e acertos. Aliás, eles são muito mais parecidos do que diferentes.
- O Aécio não matou a educação em MG. Eu estudei quase a vida toda em escolas estaduais. Eram ótimas, mas o nível caiu antes dele assumir. Entrei na estadual tendo que fazer exame de seleção! Quando saí, em 1998, a escola era um bueiro, ninguém tinha a menor chance de passar no vestibular (e 3 anos antes tínhamos!) e a educação estava morta. Podem acusar o Aécio de não tê-la ressuscitado, mas não de matá-la.
- Mesmo ruim, a educação em MG tá melhor do que a maioria, no geral. Imagina as outras: (bit.ly/1uAMHWHhttp://abr.ai/1uAP8sa). Ou seja: o problema da educação é endêmico. Não é partidário, não é filho de José nem de João, é filho de todo mundo. Tá todo mundo sujo.
- O PT não afundou o Brasil. O primeiro mandato do Lula foi muito bom. Mesmo. Entrou pra história. O primeiro do FHC também.
- O Bolsa Família foi criado pela Ruth Cardoso (pra quem não sabe, antropóloga, já falecida esposa do FHC, então primeira-dama). Mérito do PSDB.
- O Bolsa Família ganhou uma magnitude muito maior com o Lula. Mérito do PT.
- "O Lula criticou o Bolsa Família do PSDB". Verdade. Mas que bom que ele pensou duas vezes, analisou a realidade e mudou de opinião, né? Mais um ponto pra ele. Só idiotas não mudam de opinião.
- Detesto Marina Silva, mas a campanha difamatória do PT contra ela - que é a mesma que fazem contra o PSDB - extrapolou os limites e é muito perigosa. Seja inteligente e busque uma opinião imparcial.
- Poucos lembram que o Lula melhorou (e muito!) a estrutura das estradas. Golaço pra ele aqui. Antes, era uma buraqueira danada. Nossa infraestrutura de transportes é quase toda rodoviária, estradas TÊM que estar em boas condições pro país poder respirar.
- Melhorou também (e muito, de novo!) a estrutura das universidades federais. Entrei na UFU na época do FHC e saí já na Dilma (dois cursos), e presenciei de perto a ENORME melhora. No começo, tínhamos até um pouquinho de inveja da estrutura das universidades particulares.
- A qualidade do ensino superior, no entanto, caiu. Como fora prometido, filho de pedreiro está mesmo virando doutor, mas está se formando e ganhando menos do que o pai. Numa estatística de "olhômetro", 70% dos advogados formados nos últimos 10 anos não sabe nem escrever direito, e acredito que meus colegas da área podem tranquilamente corroborar.
- O PT teve o mérito de, quando assumiu, não extinguiu as políticas do PSDB que estavam dando certo. Espero que, caso eleito, o PSDB faça a mesma coisa.
- Nenhum partido eleito vai acabar com o Bolsa Família (ou restringi-lo). Seria suicídio eleitoral.
- Nunca se esqueçam do Plano Real. Ele foi a mais importante e ousada mudança econômica do país. Antes dele, o Brasil era um inferno. Pesquisem. Um produto dobrava de preço no mês seguinte, nossa moeda não valia nada e o pobre não conseguia juntar nem um pouquinho de dinheiro pra melhorar de vida.
- Quer outro exemplo de como era antes do Real? Sua mãe tava no supermercado, aí passava um funcionário remarcando os preços e ela, juntamente com umas 200 pessoas, tinha que correr na frente dele pra botar no carrinho os produtos antes de eles serem remarcados. Leiam isso aqui: http://glo.bo/1nd1jKz
- Contextualize as gestões. O FHC pegou um país quebrado, e passou por três crises internacionais graves. Aliás, a Dilma também pegou um país em condições bem mais ou menos - mas muito melhores do que em 1994 - e tá tendo que se virar.
- Aliás, FHC e Lula pegaram o país em momentos tão diferentes que comparações numéricas entre os dois governos (tal fez X faculdades, tal fez Y sei lá o que) é, no mínimo, inocente.
- Ainda assim, não tenho certeza se o fraco segundo mandato do FHC foi culpa só da crise ou se ele tava dormindo mesmo.
- O poder aquisitivo do pobre aumentou mesmo. Isso se deve às políticas sociais do PT e à moeda forte do PSDB.
- Eu apoiei a Dilma no começo, mas achei o mandato muito fraco. Assumiu com o discurso, logo na cerimônia da posse, de que ia rever a política tributária brasileira. Quatro anos depois, NADA relevante foi feito nesse sentido. Basicamente, ela ficou 4 anos jogando paciência no notebook do Palácio do Planalto. Tem se mostrado incapaz de contornar a crise.
- Crise que, aliás, o Lula, deixando o sucesso subir à cabeça, subestimou no seu segundo mandato (https://www.youtube.com/watch?v=nX0Q2a4w6Ao).
- Os anos seguintes têm tudo pra ser terríveis. Não espere uma atuação fantástica nem da Dilma e nem do Aécio. Acho bem possível que quem vencer a eleição vai mais perder do que ganhar.
- Vale lembrar que o candidato do PT é a Dilma, não o Lula.
- O Aécio é bastante autoritário. São várias as denúncias sobre ele tentando censurar a imprensa em MG. Igualim Lula e Dilma também.
- Nunca, NUNCA relevem ou ignorem o mensalão. Foi um absurdo. Se fôssemos listar todos os escândalos de corrupção no PT e PSDB, ficaríamos um mês aqui. Mas o mensalão foi o mais grave deles.
- Se você acha que o Aécio é "a mudança", você possivelmente está bêbado. Penso assim: FHC/PSDB criaram o ótimo Plano Real, mas depois demonstraram cansaço. Lula/PT fizeram as ótimas políticas sociais, mas depois mostraram cansaço. Dilma/PT estiveram o tempo todo cansados. Talvez (t.a.l.v.e.z!) seja a hora de botar alguém diferente e querendo mostrar serviço, pra fazer mais alguma coisa legal lá...
... e depois mostrar cansaço.
- A Dilma tem se saído muito mal nos debates. Nem aquela hedionda colinha de 500 páginas tem ajudado.
- O Aécio é liso e vai bem, mas tem uma cara muito engraçada quando termina de brigar com alguém: http://bit.ly/1uAVtnq
- Se você acha que privatizar é "vender o que é nosso", você precisa estudar mais. De verdade. Praticamente todos os países desenvolvidos do mundo fizeram isso, por um motivo muito simples: empresas estatais geralmente não conseguem competir com as de iniciativa privada. (Vocês já viram qualquer serviço estatal funcionar bem? Então por que diabos vocês querem que o governo controle tudo?)
- "Vendeu a Vale a preço de banana". Vendeu mesmo, só que recebe royalties altos. É mais ou menos a mesma coisa de você vender um imóvel e continuar recebendo aluguel. E o "imóvel" Vale estava falido.
- Alguém se lembra de como era a telefonia antes da privatização? Funcionava mal e era caríssimo. O pobre não conseguia pagar uma linha de telefone fixo.
- O PSDB não é de direita. O PT não é de esquerda. Juro procês.
- Cês gostam de chamar petista de maconheiro, mas o FHC já cansou de defender a legalização da maconha.
- "O PSDB governa para os grandes empresários". Verdade. Não só eles... Todo governo é assim, por motivos óbvios: quem tem dinheiro tem mais influência. Duvida? Olha aqui: http://bit.ly/1uASPhIhttp://bit.ly/1uASSKnhttp://bit.ly/1uAVDLC
- /\ "Só quem é milionário vota no PSDB." Eu queria muito ser milionário, pra te comprar um cérebro.
Conclusão: os dois candidatos têm características boas e ruins. 5 minutos de Google vão revelar notícias boas e péssimas a respeito de cada um deles. Nenhum deles é vilão nem herói, e eles são até meio parecidos entre si. Tente pensar fora da bolha, distante da massa. Não se apaixone por nenhum candidato, política não é futebol. Dê valor aos debates pré segundo turno, pesquise os argumentos de cada um e analise com imparcialidade. De novo: só um idiota não muda de ideia.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A lógica eleitoral

SITUAÇÃO: Você tem um Monza. Já é um carro velho e cheio de defeitos, pode parar de funcionar a qualquer momento. Obviamente, você quer trocar.

A lógica do eleitor da Marina é: 
- Vamos trocar numa carroça do século XVIII, pois o importante é trocar.

A lógica do eleitor do Aécio: 
- Monza fede, Monza é feio, Monza é bobo e Monza é cara de pudim.

A lógica do eleitor da Dilma: 
- Não importa se ele tá com 3 rodas, faz 1 km por litro e não me leva aonde eu quero. Roda perfeitamente assim.

A lógica do eleitor da Luciana Genro: 
- Vamos trocar num Lada, pois é soviético e não se sujeita à exploração do trabalhador pela classe dominante.

A lógica do eleitor do Everaldo: 
- Vende o Monza e dá a grana pra igreja. Eles saberão o que fazer, porque eu não sei não.

A lógica do eleitor do Eduardo Jorge: 
- Troca em maconha, que te leva a lugares muito mais longínquos. Viva, viva, viva a sociedade alternativa.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Um estudo sobre a selfie na atual conjuntura socioeconômica ocidental

Esses dias eu estava intelectualmente bastante ocupado, quando comecei a pensar num assunto muito importante e que pode mudar a maneira como vemos a vida: a selfie.

Tipo essa aqui
Ela divide opiniões: tem quem goste, tem quem não goste e tem quem critique. Já inventaram até um termo pra falar sobre a suposta ignorância dessa nova geração, "geração selfie", como se você só tivesse duas opções na vida: ou vai estudar Foucault ou vai tirar uma selfie, e quem escolhe a segunda opção está automaticamente contribuindo para o declínio da raça humana.

"Selfie é ridículo", "Quem tira selfie quer aparecer", "Fora Dilma", blablabla. Se você participa de alguma rede social, do LinkedIn ao Tinder, provavelmente já ouviu isso (Badoo não conta; se você tem Badoo, chispa daqui).

Provavelmente, também, você já viu um bilhão de selfies por aí, quiçá já tirou algumas.

Minha opinião? Nada contra. Na verdade, nem sei se tenho uma opinião sobre isso. Por mais que existam inúmeros discursos fazendo a ligação da selfie com o derretimento das calotas polares, não vejo como ter qualquer tipo de opinião contundente a respeito de uma coisa tão banal e inofensiva.

Não que eu pule de emoção toda vez que vejo uma selfie. "MINHA NOSSA QUE INCRÍVEL ESSA SELFIE VOU ADSIONAR". Mas acho até melhor a pessoa tirar fotos de si mesma do que dos seus pés na praia ou, pior ainda, compartilhar imagens com frases de motivação e autoajuda. (Você que faz isso: você é cretino.)

Uma vez, li em algum lugar: "deixe as pessoas gostarem da própria beleza." Concordo. Não há mal em se achar bonito e querer ganhar umas curtidas virtuais (sinônimo moderno do elogio) pela beleza - mesmo que ela, em muitos casos, não exista.

Aliás, a selfie não é muito diferente daquelas fotos de pose, em que todo mundo se junta e sorri só pra tirar a foto. Essas são até piores porque: a) Muitas vezes, você nem quer aparecer na foto; b) Por algum motivo que só Darwin saberia explicar, 90% das pessoas no mundo não possuem a capacidade de pressionar um obturador de câmera em menos de 5 segundos; c) Em decorrência disso, a foto só é tirada quando você já apresenta sinais clínicos de cãibra nos músculos da face. Afinal, você tá rindo sem querer rir; d) Depois de tudo isso: "Peraí vou tirar mais uma só pra garantir rs".

É claro que, como tudo na vida, tem foto boa, ruim, engraçada, sem graça, comum, original , oportuna, exagerada etc. É difícil, hoje, olhar pra uma selfie e não ter pelo menos um pouco de preguiça. Nada em exagero é bom (exceto o Led Zeppelin), e o ser humano tem capacidade pra degenerar qualquer coisa. Selfies podem ser ridículas e chatíssimas, mas qualquer coisa também pode (exceto o Led Zeppelin). A amiga dona de casa não vai mais tirar selfie em velório, selfie fazendo hang loose com as mãos e nem selfie saindo do banho. Muito menos vai postar selfie todo dia. Não vai.

Enfim. Como eu disse, é um assunto banal e inofensivo, mas eu gostaria de aproveitar o ensejo e deixar um recado pra uma pessoa das minhas redes sociais. Um sujeito que, apesar de gente boa, tem arrastado sua própria imagem no asfalto da avenida da dignidade. Não dou indiretas neste blog e pretendo continuar assim, mas as palavras a seguir têm caráter de conselho, não de indireta, ok?

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Jovem,

Pare de tirar as selfies que você tira. Pense no que você está fazendo da sua vida. Você não tem mais 14 anos. Tirar selfie fazendo caretinha, botando linguinha pra fora? Mulheres podem fazer isso, fica até bonitinho nelas; em você, fica ridículo. Todo mundo percebe, todo mundo comenta. Não interessa se você é feliz assim, você simplesmente não pode obrigar ninguém a ligar o computador e dar de cara com fotos de um homem de 20 e muitos anos fazendo expressão de cachorrinho rosnando.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre petralhas e coxinhas

Uma das coisas que mais me intriga no ser humano é a dificuldade que ele tem em mudar de ideia.

Teve a tão aguardada entrevista da Dilma no Jornal Nacional, né? E olha só, independente de qualquer posição política que eu tenha, ela foi mal, muito mal. Evasiva, mal articulada e emocionalmente frágil.


Não estou dizendo que só por conta de uma entrevista mal sucedida ela seja uma má governante. Na verdade, não acho o governo Dilma metade bom do que dizem que é bom, nem metade ruim do que dizem que é ruim. Sei que vão me perguntar o que eu acho, então lá vai, mesmo que minha opinião pessoal a respeito do governo Dilma não tenha nada a ver com o resto do texto: achei fraco. Eu esperava mais. Não tenho certeza se algum outro candidato consegue fazer melhor, mas sou sempre a favor da alternância de poder; pra mim, todo partido deve sair depois de muito tempo de governo, seja ele - o partido - qual for.


Pronto, voltando: gente, acho que até a mãe da Dilma assume que ela foi mal na tal entrevista. Mas o que me chamou a atenção foi o comportamento dos defensores dela no Facebook. Eles culparam a Globo, o El Niño e o Luis Felipe Scolari. Nenhum deles admitiu o mau desempenho da candidata.

Vi até uma tentativa de meme que dizia que a Dilma devia ter indagado o Bonner a respeito das dívidas fiscais da Globo, o que me lembrou bastante o ensino fundamental, quando uma menina chamava (com razão) a atenção do menino e ele dizia "cala a boca, você é gorda".

O que leva pessoas a defenderem pessoas/ideias/coisas que mal conhecem como se estivessem defendendo seus filhos? Que mal há em dizer "É, não foi bem..." Melhor ainda: que mal há em reavaliar o seu pensamento e considerar mudar de ideia? Nem estou dizendo que se deve mudar de ideia; o simples considerar já basta.

Estou usando a entrevista da Dilma como mero exemplo ilustrativo, mas essa inflexibilidade ideológica se manifesta todo dia por aí. Quem nunca viu usuários de iPhone/Galaxy se degladiando em favor dos seus aparelhos, defendendo uma marca como se defendessem a própria mãe do ataque de javalis sanguinários?

Marcas de carro. Times de futebol. Diretores de cinema. Sistemas operacionais de computador. Meu Deus, esses dias eu estava lendo um fórum sobre instrumentos musicais e tinha um coitado conflitando com todo mundo porque diziam que uma marca de violões era ruim!

Isso é normal, até certa idade. Adolescentes costumam mesmo pegar qualquer coisinha e tratar aquilo como absoluto. Experimenta falar mal do Justin Bieber no Twitter...

Só que vai chegar uma hora, ali depois dos seus vinte (e poucos?) anos, que você vai ter que virar adultinho e vai ter que raciocinar. Simplesmente não faz sentido você continuar agindo como uma cheerleader. 



Essa inflexibilidade está muito ligada à ignorância. Se alguém defende algo ferrenhamente, mas mostra conhecimento sobre o assunto, ok. Acontece que na grande maioria das vezes as pessoas que agem como defensores incondicionais de algo/alguém não têm muita noção do que estão falando, muito menos do que estão defendendo. Parece que se apegam a uma ideia que acham que é de um jeito (e não é) e, por isso, defendem essa ideia projetada, fruto da própria fantasia, que foi injetada na pessoa ou coisa a ser defendida. 

Um claro exemplo disso é a batalha verborrágica. O argumento de quem não gosta da Dilma é "Esse PTralhas estão acabando com o Brasil!"; quem não gosta do Aécio geralmente diz "Aécio, político dos coxinhas!".

Ord dord.

Tenho três questionamentos pra você. Responda com sinceridade:
1) Você sabe qual é a diferença entre Senado e Câmara, o que cada um faz?
2) E a diferença entre deputados estaduais e federais? Sabe? 
3) Você sabe o que é de competência do Presidente da República e o que é de competência do Congresso Nacional? Em outras palavras: você sabe quais são as funções do Presidente?
São assuntos simples, mas acho que 95% das pessoas não sabem. Duvida? Tire a prova, pergunte para o coleguinha ao lado.

Ou seja, gente que desconhece a estrutura básica da política brasileira tá aí cheio de opinião no Facebook, contribuindo pra espalhar um monte de opinião cocô por aí porque acha que fulano é coxinha, sicrano é PTralha, beltrano é jedi e trelano é elfo.

Prestenção: nem a Dilma é "petralha", nem o Aécio é "coxinha", e tanto o governo do FHC quanto o do Lula tiveram seus erros e acertos. São governantes, e é facinho facinho aí pra você pesquisar o que os candidatos de hoje fizeram ou não fizeram, o que prometeram e o que cumpriram ou não e as justificativas de cada um para seus sucessos e fracassos. Dê um tempo na discussão de Facebook, pare de compartilhar posts dos outros, esqueça um pouco os blogs de opinião e pesquise por conta própria, de forma imparcial. Não é física quântica; é moleza, você só precisa querer pensar. Informe-se, e, com base nos acertos e erros de cada um, escolha aquele candidato que, na sua opinião, acertou mais.

As pessoas são maniqueístas. Elas preferem pensar no herói x vilão, na luta do bem contra o mal. Ou a pessoa é boa, ou ela é má. Talvez por pura preguiça de pensar, a voz do povo tem dificuldade de entender pessoas e situações como ambíguas, complexas, e que é muito difícil - embora não seja impossível, em alguns casos - etiquetá-las em uma categoria. Ama-se a ideia, projetando-a em alguém. Daí a defesa incondicional e apaixonada.

E agora eu vou terminar esse texto de forma extremamente original e gloriosa:


O amor é cego.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sobre Veja, Carta Capital, Beatles e os Rolling Stones

Beleza, a Copa está aí, os protestos também, as eleições também. Com eles, um número enorme de pessoas passou a discutir política e sociedade nas redes sociais (ou já discutiam antes e ninguém notava).

Isso é bom e ruim. Bom porque mostra que as pessoas estão - ou acham que estão - atentas a um assunto importante, e ruim porque, na maioria das vezes, é só torcida irracional de futebol: pessoas defendendo/atacando coisas que eles não defenderiam/atacariam se elas tivessem sido feitas pelo time rival outro partido. Basicamente assim:

1) Se o mensalão tivesse acontecido no governo tucano, quem acha que Dirceu & cia. são inocentes e injustiçados estaria querendo a cabeça do Aécio na ponta de uma lança;

2) Se o FHC tivesse trazido a Copa, ia ter tucanista defendendo, falando de legado etc.

Como se política fosse esporte. Como se PT e PSDB fossem assim tão diferentes. Como se fosse errado mudar de ideia e admitir que você estava errado quando defendeu ou apoiou tal candidato que depois acabou te surpreendendo, para o bem ou para o mal. Como se o governo que você apoia fosse melhor para o país só porque tem a sua torcida. 

Nessas discussões, é muito comum que as pessoas façam o uso de links de reportagens para embasar suas opiniões. Normal, todo mundo quer estar certo e provar que está falando a coisa certa.

Inevitavelmente, a Veja acaba sendo citada. 

Aliás, antes de continuar, vou escrever um pequeno manifesto. São apenas 3 frases, bem objetivas e da forma mais simples possível, que é pra não causar confusão na cabeça de quem tem dificuldade:

EU NÃO GOSTO DA REVISTA VEJA. ACHO ELA MUITO PANFLETÁRIA. RARAMENTE LEIO.

Acontece que o fato de eu não gostar uma revista (ou de alguém) não significa que 100% do que ela publica é bobagem. Não é. Existem matérias ruins e boas na Veja, assim como na Carta Capital, igualmente tendenciosa e panfletária.

Aí acontece de alguém postar uma matéria da Veja que, se você ler, pode até ser que ache ali algum sentido. Mas as pessoas preferem limitar-se a dizer "Tsc tsc, Veja, não vou nem comentar." Coisa mais chata.

Engraçado que já vi mais de uma vez colocarem um link pra alguma reportagem da Carta Capital como resposta ao link da Veja. De novo: são revistas basicamente idênticas, só que uma gosta dos Beatles e a outra prefere os Rolling Stones.

Às vezes é irresistível dar uma sacaneada em quem está falando, eu sei. Quer descer a lenha no coleguinha? Manda ver, mas pelo menos dá uma lida nas fontes que ele tá usando. Vai que...

Ou então você pode simplesmente dizer "isso é lixo porque odeio a Veja / Carta Capital / Caros Amigos / Piauí / Marie Claire" e continuar sendo juvenil. A escolha é sua.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sobre espancar bandidos

1) Não tenho dó nenhuma. Não tenho dó de menino amarrado ao poste, de viciado em crack sem casa pra morar, de ladrão dividindo uma cela de 5m² com outros 30... Mas também não acho que é certo espancar. Não resolve nada, e quem acha que resolve é meio burrinho. Qualquer dia desses, você, "cidadão de bem", comete um descuido, bate no carro de alguém, e pode ser espancado pela "justiça popular" também. 

2) Por mais adversas que tenham sido as condições sob as quais essas pessoas foram criadas, outras pessoas também foram criadas bem ao lado delas e se tornaram gente digna. O papinho de que criminosos são produtos do meio não cola, é conversinha de quem acha que sabe sociologia, mas não sabe. O meio é um dos fatores que faz com que as pessoas façam escolhas erradas - daí porque a criminalidade quase sempre é maior em regiões mais pobres -, mas não o único. Não acho que pobreza sirva como salvo-conduto para ninguém sair por aí cometendo delitos. Pobreza não é atenuante.

3) Tem emprego pra todo mundo, viu? Taxa de desemprego em dezembro de 2013: 4,3%.

4) Impossível não olhar pra isso tudo e pensar a que ponto as coisas chegaram, quando mais da metade da população de um país defende o livre espancamento e tortura de outras pessoas no meio da rua. É fácil virar e falar "bárbaros!", mas eu vejo por outro lado. Se chegou a esse ponto, é porque a coisa tá feia, ninguém aguenta mais. É preciso interpretar os sinais que a sociedade dá. Entramos em ebulição.

5) Ninguém vai fazer nada. O Código de Processo Penal não será mudado (pelo menos não de forma satisfatória), não vão fazer mais escolas na periferia (pelo menos não de forma satisfatória), não vamos construir mais presídios ou melhorar os que já temos (pelo menos não de forma satisfatória) e não vamos ter mais policiais na rua (pelo menos não de forma satisfatória).

6) E agora?